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quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Réplica do verdadeiro prazer


O andarilho foge porque odeia a vida. A mulher derrama lágrimas por ser bela demais, e hoje aprendi que um garoto é livre, e sempre sobrevive a primeira ressaca. Talvez por isso ainda estou aqui.
Fugi, chorei e bebi, agora estou vivendo todos os males do século. Logo me comparo a Coca-light, uma réplica do verdadeiro prazer.

Por: Emanuelle Rodrigues

sábado, 8 de dezembro de 2007

Palavras Polidas


Poeticamente falido, queria estar mundialmente inconsciente, e afastado.
Mais ainda acredito que esta é uma ótima tarde para conspirações. Chega de sedativos meu bem, a moda agora é dizer a verdade.
Por: Emanuelle Rodrigues

Jack Kerouac


"A geração beat inclui qualquer pessoa de quinze a cinqüenta e cinco anos que se interessa por tudo". Jack Kerouac.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

De volta ao Armário


Toc, toc. Plif e plaf! Alguém está batendo. Talvez seja o homem do armário, desfrutando da eterna escuridão. A solidão e a incerteza fazem de Auleri um “cara” esquisito. Este é o nome que carrega um sujeito mal encarado que se esconde em meu guarda-roupas.
Excêntrico como só ele. Todas as noites nosso amigo peludo, extrapola o limite da bagunça, e é no quarto de brinquedos que reencontra os amigos. As fadas, os duendes e as Barbies Hippongas que trazem mais colorido à vida de um ser das trevas.
A relva está a caminho, mas até o raiar do sol, surgirão novas histórias, e belas garotas para trocar beijos e experiências do passado. Ainda que seu destino tenha encerrado percurso no fim da década de 70.
Época boa, guerras literárias, fervorosas mulheres, liberdade e novos contraceptivos. As luzes não impediam aquela revolta, naquele tempo em que a rebeldia realmente acontecia.
À noite sempre vêm e cessa os gritos e as paixões fulminantes. Auleri sempre relembra a era dos cabelos longos e “panos” incandescentes, década que lhe arrancou boa parte da energia. Hoje o monstro tornou-se mais um depressivo, sem percepções de terror.
A ousadia de ontem até poderia estar viva. Porém não suficiente para levar Auleri de volta ao combate. Depois da chegada dos cabelos brancos, o meu monstro quer somente torrar sua grana e beijar mulheres de borracha. Toc, toc. Plif, plaf... que sabe ele seja feliz assim. Portanto deixem o bem longe, enquanto eu não penso como ele.

Por: Emanuelle Rodrigues

domingo, 18 de novembro de 2007

Foragida e acima de qualquer limite de velocidade

Por: Emanuelle Rodrigues.



Foragida e acima de qualquer limite de velocidade



Sinopse: Helena é uma personagem que representa em poucas linhas a mudança do comportamento da mulher ao longo do tempo. Depois de anos de descriminação e sujeição ao homem. Essa nova mulher pede alforria. Cansada da intolerância machista, onde esta é vista somente como reprodutora e “cuidadora” do lar. As linhas fazem referencia a um homem “real” (machista, beberrão e devasso). Em vários momentos a trama mostra o descontentamento de uma mulher que vive há tempos a servir o homem. Helena é colocada como uma garçonete aborrecida pelo comportamento brutal de alguns clientes do bar onde trabalhava. A jovem acaba fugindo daquele destino de restrições e descriminação.
Depois se torna rebelde, e por fim independente como sempre sonhou. Assim representando a independência da mulher na sociedade, continuando bela e sedutora.

Roteiro: Helena é uma garçonete, que parece estar a anos servindo sempre os mesmos bêbados, que insistem em desrespeitá-la. Contudo, desperta e resolve posicionar-se de maneira diferente. Foge do bar onde trabalha e começa a aprender a ser independente. “Helena cansou de lavar pratos e servir conhaque.”
Essa mulher enfrenta muitos obstáculos, e vive de maneira desafiadora, sempre fugindo da futilidade e conquistando seu lugar ao sol: “Glória, status, e maquiagem. São elementos que saciam as tolas, as velhas, mas nunca as teimosas.”.
No texto, o asfalto representa o tempo, a passagem das décadas: “Cabelos ao vento, salto enfeitando o asfalto.”
Enquanto a alta velocidade: a rapidez da mudança no comportamento feminino. “Assustada, a moleca decorre o trecho em alta velocidade.”
A separação (antes um tabu), o desapego a beleza e a estética, e a desvalorização dos valores religiosos também são ressaltados.
“Mesmo que traumatizada pelos ex-maridos. Ela sabe lidar bem com suas dúvidas, busca ajuda nos livros, e jamais na manicura”.
“Para Helen a castidade é fundamentalismo religioso. Muito para alguém que sempre dormia nas missas.”
O texto em geral trata da mulher contemporânea que tem vergonha do passado e hoje luta pelos seus direito, e cada vez mais vem se destacando na atualidade. “Essa mulher é segura, prefere esquecer o passado. Agora suas convicções estão em primeiro plano.”.


Foragida e acima de qualquer limite de velocidade



Mercenária, atrevida e vazia. Helena cansou de lavar pratos e servir conhaque. Ela é a “mulher”. Entra nas lojas e não compra. Cabelos ao vento, salto enfeitando o asfalto. Quem não conhece a sua perigosa astúcia? Assustada, a moleca decorre o trecho em alta velocidade.
O principio de sua fúria, aconteceu em um salão de bebedices na Terra de Lugar Nenhum. Enquanto a moça servia as mesas, os piratas abusavam de sua feminilidade. Gordos, barbudos e fraudulentos, irritaram a pureza e Helena acabou fugindo daquela bagunça.
Hoje a bela está com o coração a quilômetros das mesmices. Mulheres cansam de ser pequenas garotas. Para Helen a castidade é fundamentalismo religioso. Muito para alguém que sempre dormia nas missas.
Glória, status, e maquiagem. São elementos que saciam as tolas, as velhas, mas nunca as teimosas. Rosa não é sua cor preferida, pois ainda existem as que não precisam de muito para estar sedutoras.
Helena não carrega bolsa. Facilmente revela seus segredos e faz amigos com freqüência. Mesmo que traumatizada pelos ex-maridos. Ela sabe lidar bem com suas dúvidas, busca ajuda nos livros, e jamais na manicura.
Há alguns anos, Helena tornou-se mãe. O que não foi obstáculo para fazer amigos virtuais, e por incrível que pareça continuar ligando para as colegas e não tem inveja destas.
Essa mulher é segura, prefere esquecer o passado. Agora suas convicções estão em primeiro plano. Mercenária, atrevida e vazia. Helena cansou de lavar pratos e servir conhaque. Desfila sem medo pela estrada, foragida e acima de qualquer limite de velocidade.


Por: Emanuelle Rodrigues 18/11/07




Menina Linda
Tequila Baby
Composição: Versão: Renato e Seus BlueCaps / Música de Lennon e McCartney




Ah! Deixe essa boneca faça-me o favordeixe isso tudo e vem brincar de amor, de amor, de amorOh meu bem, lembre-se que existe por aí alguémQue tão sozinho vive sem ninguém, sem ninguémMenina linda eu te adoro ahhhhhMenina pura como flor ahhhhhSua boneca vai quebrar haaahhaaaaMas viverá o nosso amor






Pergaminhos exclusivos



Inspiração é mortífera. Parece céu nublado, infestado de ficções resultantes da solidão. Dimas vai se embebedar, e logo surgirão os vestígios da extravagância. A velocidade é alta, e as malas importunam o lombo. É o dilema de forasteiro, é a incógnita do indiscreto.
Novos ares renovam as aptidões. Reputações manchadas e novas queixas, é tudo que ele quer, é tudo que Dimas precisa. Guerras, prostíbulos, vísceras, maldade fazem a sua variedade, glorificam novas pautas, e geram linhas excelentes. Diários sangrentos são puros, não disseminam inverdades, nem ocultam celulites. Correspondem a curiosidade desumana, e a ausência de humanidade.
Dimas tende a objetividade, constrói páginas esdrúxulas. Mas tarefa difícil é ser original, Pergaminhos exclusivos só funcionam com feiticeiros.

Por :Emanuelle Rodrigues

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Sujeição a queima-roupa



Ana é passiva e recriminada. Sem desígnios, necessidades ou intenções. A pupila deve dar créditos a Deus e suas premunições. Mesmo que o efeito seja o mesmo, e todos os natais sejam catastróficos.
Opiniões, malas e gritos são algumas constantes, hereditárias. O predomínio dos intuitos é substituído pelo fundamentalismo masculino maquiavélico.
Munições, retórica, e estimulantes perseguem a puberdade. Norteada pelas estrelas, Ana é abreviada como todas e, todavia realiza pecados habilitados a estrangulamento.
Esqueçam a meninice, prossigam o terrorismo. Defina-na como sereia da libertinagem. É sedutora por si só. Vestida ou sem panos. Ela espera que queimem seu corpo herege e mitológico, até o meio dia. Hoje o fato já está consumado.
No dia de sua passagem, segurava a esperança congelada. Astúcia, amparo e violência não apagaram os rabiscos na índole religiosa. Agora se mostram remotos os consentimentos. Encerraram-se todas as gerações, despotimo moderno é a fuga da reflexão. Em vista disso que as pupilas esfregam o chão, e são felizes dentro do casamento. Sujeição a queima-roupa.

Por: Emanuelle Rodrigues

Ai, Que Saudade Da Amélia
Demônios da Garoa
Nunca vi fazer tanta exigênciaNem fazer o que você me fazVocê não sabe o que é consciênciaNão vê que eu sou um pobre rapazVocê só pensa em luxo e riqueza.
Tudo que você vê você querAi, meu deus que saudades da AméliaAquilo sim, é que era mulher. Às vezes passava fome ao meu ladoE achava bonito não ter o que comerE quando me via contrariadoDizia \"Meu Filho, que se há de fazer ?\"Amélia não tinha a menor vaidadeAmélia que era mulher de verdade


domingo, 11 de novembro de 2007

Perversa consciência literária


Sabem aqueles dias, que o progresso é confuso, e as mudanças trazem uma nuvem de nostalgias? A presença de maldade acalma minha abstinência. Essa gaiola de segredos me faz sentir o que os outros buscam nas alturas.
Declarar tristeza render-se a saudade, é muito previsível para nós que vivemos sedados. Tocar violão, compor estrofes de amor, é inusitado, quando se é brutal por inexperiência. Ser inexperiente não é problema quando se ama. O problema é não saber amar, e ter vivido muito.
Até gostaria de degustar uma pitada dessa confiança. Ainda que meus intestinos estejam tão pervertidos ao ordinário partido habitual. Em vista disso, roubei as chaves do calabouço. Tenho certeza que logo à tarde, vamos magoar as regras deixando transparecer as vergonhas ocultas, se é que elas sobreviveram ao holocausto, proporcionado pelo álcool.
Overdose injuria difamação, somos nós mesmos. Comportando-se como antiquados pretensiosos. Porque já entendemos que felicidade pode ser nociva. Ou existe veneno mais cego, que reconhecer a distância de quem não aprendemos amar?
Agora me traga o violão. Estou parindo novas queixas; As aflições prosperam o entusiasmo. Posso parecer triste, mas é só idealismo. Perversa é a consciência literária.


Emanuelle Rodrigues

Obs.: O que vocês esperam de mim? É como um câncer. Não depende de amigos ou quadrinhos, estou acabando em lágrimas. Não consigo deter a sensação de perda. Preciso fazer algo. Preciso e não faço.
Por: Emanuelle Rodrigues

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Novas páginas de personagens inexperientes

Kablum, bum, bum! Chuá e chuá! Vem a chuva, feito frevo, espantando a passarada. São centenas de desavenças, destruindo a harmonia. De onde surgem as picuinhas?
Surgem do tédio e da enxurrada. Violentíssima enxurrada que leva embora nossa infância. É tempo de não viver o tempo. Retrocedendo, e vivendo para não correr o risco de perder tempo, acreditando na velha crença.
Kablum, bum, bum, suspiros e beijos frescos. O tempo é chuvoso, porem o filme é antigo. Penas e plumas, aqui está à estação dos gostos a contragosto. Mutilação involuntária, benignidade e fracasso imediato.
Kablum bum, bum. Risadas chorosas, constantes restrições. Quem foi que disse que é pecado buscar novos rumos, em outras certezas? Visitando a alegria chegou a dúvida para movimentar aquela festa pobre.
Kablum, bum, bum. Apatia em larga escala. É rotineira a convivência imposta. Elevou-se muito à carência, e junto com ela vieram às rixas, os combates, e as disputas.
Bem, foi o principio do declínio. Eram excessivas permissões em dias de sol. Entretanto, hoje à noite ninguém vai abaixar a cabeça. Novas páginas de personagens inexperientes

Por: Emanuelle Rodrigues



Ainda é Cedo
Marina Lima

Uma menina me ensinou Quase tudo o que eu sei Era quase escravidão Ela me tratava como um Rei Ela fazia muitos planos Eu só queria estar ali Sempre ao lado dela Eu não tinha aonde ir Mas egoista que eu sou Me esqueci de ajudar A ela como ela me ajudou Ela também estava perdida E por isso se agarrava a mim também E eu me agarrava a ela Porque eu não tinha mais ninguém E eu dizia: Ainda é cedo, cedo, cedo, cedo Sei que ela terminou o que eu não comecei E o que ela descobriu Eu aprendi, também, já sei Ela falou: Você tem medo Falamos o que não devia Ela falou: Mas eu não sei mais o que eu sinto por você Vamos dar um tempo, um dia a gente se vê Cedo, cedo, cedo, E eu dizia ainda é cedo, cedo, cedo.


quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Aprecie com moderação

Os ratos mortíferos invadem os carrinhos de mercado. Prestigiam as padarias, divulgando-se todo mês a você. Usam roupas invejadas, surrupiam ternos alinhados, e não encontram nos livros a receita para os próprios abismos.
Eis aqui o queijo de engorda, que aduba a propaganda. Patrão que explora, é feliz. Empregado que trabalha é feliz também. Banco que fatura é bom empreendimento. Banco que empresta, é amigo do peito.
Roer carniça é função de proletário, por ora extinto, forjado, e que Deus o tenha. Mantendo toda peste bubônica bem longe de nossas geladeiras, mesmo que contaminem nossos sentidos, e provoquem sensações desconhecidas.
A oferta seduz a presa, cativa do consumo, voluntário e involuntário, de certas quinquilharias fabricadas por tutores do bem e do mal. Ou bem do mau. Chamados fabricantes de cultura. Portanto fiquem atentos, estas linhas ambíguas podem provocar o efeito subtexto. Deguste-as lentamente, e aprecie com moderação.


Por: Emanuelle Rodrigues

http://br.youtube.com/watch?v=rQLdDEqwPyU
http://br.youtube.com/watch?v=m7MXfpg8S4k
http://br.youtube.com/watch?v=RLh8PotzMd8



Rede Globo fez recentemente uma matéria sobre as Raves, e exibiu no Fantástico algumas cenas, onde se mostrou o lado negro da psicodélica. Não vou contestar esse assunto cada um tem uma opinião.
Entretanto a confiável Rede de telecomunicações é favorável aos rodeios (onde animais são explorados cruelmente como no vídeo acima), e ainda acreditam ter alguma credibilidade para exibir matérias contestatórias? Onde está o lado negro dos Rodeios? E quanto ao funk?
http://br.youtube.com/watch?v=I0sD--zVGVc
Nessa mesma novela, produzida pela Central Globo de Produções, se apoiou a difusão do baile funk carioca (atual cassino de traficantes, e bordel de jovens suburbanas).
http://br.youtube.com/watch?v=OETF0t-TqFc Inclusive exibem no horário nobre, cenas de uma “suposta” favela dos sonhos onde não há trafico de entorpecentes, o comandante e salvador da pátria é um homem branco representado por Antonio Fagundes. Aqui não acontece tiroteio, tampouco chacinas. Essa é a comunicação que invade suas casas diariamente.
GLOBO E VOCÊ TUDO HAVER!

PENSE NISSO!

http://br.youtube.com/watch?v=gGywbLBAS4c
http://br.youtube.com/watch?v=F7x_8ZsOqvM
http://br.youtube.com/watch?v=yh6fbAJyZgY
http://br.youtube.com/watch?v=_H2SKd9c9Xw
http://br.youtube.com/watch?v=RLh8PotzMd8
http://br.youtube.com/watch?v=ikqnbsOdDBI

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Linguarudo, mutante, profano.

Cabisbaixo, compenetrado em teoremas banais, perco o verbo e a rima fácil. Hoje serei mais esquizofrênico que nunca. Estou cansado!
Mendigo, desprezado, batizado, e sem caráter. Vivo uma epístola bíblica dramática, quando sou infiel aos princípios que desconheço. O
u finjo não saber.
De hora em hora, sobrevôo a vizinhança com olhares; e “credo cruz” com é laxativo ser mutante em meio a seres humanos.
Nu até deixo de estar nobre. Mas porque continuam nobres os homens que arrancam minhas roupas humildes?

Estas são respostas contundentes que não espero até o fim da noite. Na verdade nem as espero.

Fim de jogo! Chega de dramaturgia. Estou cansado e amanhã vou cedo à missa. Vou me empanturrar de hóstia e profanar a sacristia. Pobres estátuas sem verbo...

O que podiam esperar de algum linguarudo, mutante, profano?

Por: Emanuelle Rodrigues

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Mulher de pirata não é papagaio

Realidade picante, tolice depravada! Meus sutiãs foram à esquina, e minha alforria pegou a estrada. Fiquei triste, solitária e vazia. Murmurando a existência e o bigode daquele patriarca beberrão, dono das ambiciosas rebeldias.
Contudo nem sempre estive branda. Belos tempos eram os beijos em Romeu, pai dos desejos. Fui até vítima das delicias, loucuras: porque era doce essa sobremesa. Menino deus, inexperiente, afoito, provocante e de olhar celeste. Levou consigo coisas boas, e ótimas tardes de primavera mesmo que fosse pitoresca nossa revolta.
Só por hoje permanecerei caseira, pelos menos até o próximo semestre, honrando a constituição das “calças”. Naturalmente serei mulher, comum e mal amada. Só por mais um instante. Mulher de pirata não é papagaio

Emanuelle Rodrigues

domingo, 4 de novembro de 2007

A saga


Belo e velho mundo, risadas e lápides destruídas. Todos serão um, a bordo do submarino das cobiças. Quem sou eu? Que espécie de canalha é você? Nossas idolatrias são vãs, mas o vocabulário é paupérrimo.
Indisciplinados marinheiros, e bastante descarados. Os querubins rezam o terço e aplaudem os homens mortos. Ainda que a morte seja um privilégio dos infiéis.
A dialética anda como cúmplice, podendo ser mais intima que a cerveja. Basta tratá-la como serviçal, e honrá-la como baronesa.
Faça pactos hoje mesmo. Abra a geladeira embriague-se de rum. Entretanto, tome cuidado! Não perca a linha na casa de estranhos. Ou estará condenado a “tubaina” de cada dia.
Bela ressaca, que instiga o assassinato dos limites. Pelo menos as lombadas permanecem paradas, e não estragam nenhum ritmo. Isso porque o trânsito é a deficiência da democracia. Enquanto a democracia é a armadura da insignificância.
Hierarquia ou insubmissão? Estávamos bebendo sangue. Desde antes, engolíamos esse exorcismo pré-estabelecido. Felizes vamos todos brindar as bodas do pelourinho, no leito de morte da classe média.
Futuro bom, desenvolvimento a toda prova. Ora, ninguém sobrevive do luxo sem gerar mediocridade. Portanto, agradeçamos ao mundo. Belo e velho, que nos trouxe até aqui. É inacreditável ser tão livre assim. Prazer maior, somente nos comprimidos. Porque o cavalgar é ardiloso, e o cabresto muito mais incisivo.

Emanuelle Rodrigues





sábado, 3 de novembro de 2007

Romances quentes e mulheres gélidas

Romances quentes e mulheres gélidas

Dezenas de labaredas e várias paixões esquecidas.
O novo tempo nem permite as jovens realizações e posses. Elas precisam ser amáveis e desinibidas. Mesmo que o wisky do litro vá esvaindo-se, junto a abundancia da lua.
É segunda-feira, tudo deveria acontecer. Mas nunca nada acontece, ainda que seja apenas madrugada de domingo.
Os corpos se unem, as resistências caem por terra. Contudo insuficientes para alegrar, quem não quer companhias passageiras, e vive a espera de um telefonema.
Cedo ou tarde, a freqüência das horas, não faz diferença. Traidoras essas horas doidas fazem aumentar a maldita melancolia. Acontece todo dia, e acontece quase sempre. Os sonhos femininos nunca são gélidos. Mesmo que a formalidade una boas meninas aos ferrenhos adversários.
Os tombos hoje iguais, desautorizam a reprise futura . A queda é livre, basta amar e senti-la. Bem se sabe que a expectativa é sempre boa. Porém nem sempre a atualidade é cinematográfica. A situação é critica e instável.
Quer romance? Velas, sensualidade e unhas compridas? Pois bem então siga a risca o conselho de amiga. Hoje mesmo compre um livro, abandone o prazer e os cabeludos, e jamais se comporte como uma poetiza, aprenda a mentir.

Emanuelle Rodrigues

" Preciso tanto aproveitar você, beijar teus olhos... olhar tua boca. Ouvir palavras de um futuro bom..." J.Q.- Palavras de um futuro bom.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Joga as tranças Rapunzel? Joga as tranças?



Joga as tranças Rapunzel? Joga as tranças?

Indigna terra, de várias rosas e inúmeros espinhos. Arrebatas pela fúria da multidão e suas rezas. O ardor parece tão distante quanto o beijo, a língua e o sarcófago. Afugentam-se todos da palidez incompreensível. A vida é cheia de cruzes, e através delas descobre-se o significado dos astros.
Pela tarde, ao lado do meio-fio, são avistadas as meninas. Elas balançam as tranças felizes, enquanto estão intimidadas pelas rodas e cirandas. Logo, o poder as ensina a persuasão das cédulas, e elas? Essas continuam humanas, balançando tudo, menos as tranças.
A meia noite, os rugidos dos abnegados, os faróis e os vidros fechados, manipulam as moedas, e trazem as chagas. Mas as chagas sempre são curadas pela influencia das moedas, enquanto a escuridão é soberana. Reinam ás nádegas, as velas e o sapato alto.
Entretanto a alvorada vem serena, e vem sempre. É dia desde cedo nas calçadas. Maquiavélicas as sagazes damas, derramam perfume francês sobre os pêlos e voltam exalar o mesmo balsamo, da inocência.
Mulheres são infalíveis quando consomem maquiagens e sabem balançar as tranças, vivem dez anos longe da penúria, e mil na ignorância. Joga as tranças Rapunzel? Joga as tranças?


Emanuelle Rodrigues

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Porta Retrato

Porta Retrato






Na ausencia de boas maneiras,
derrube todas as prateleiras
e saia de fininho.
As piores falcatruas
acontecem nas
"melhores famílias".
Emanuelle Rodrigues

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Confrontando o conformismo


Confrontando o conformismo


Inocência, silencio e retratos desfigurados. O choro parece, e é o mesmo. Pois nunca vi prazer mais duradouro que esse de publicar o próprio sofrimento. Ou será que o acaso já é tão obvio quanto mecânico?
Sóbrio, lutando e relutando, contra a banalidade subjetiva. Desconfortável, passo horas sentado em uma cadeira de madeira vulgar. Consultando algumas bulas de remédio para aprender a ser indecifrável e raro.
Ora, meus flertes passageiros são tão pragmáticos que nem inspiram rimas bonitas ou exóticas, como no principio da adolescência.
Hoje quem abre mão de certos valores, não é bandido. É um “cara” excêntrico. Essa é a lógica dentro da sociedade onde os dopados acordam formais. Enquanto os normais serão sedados através do discurso dos dopados. As oportunidades parecem iguais. Porém o osso do satisfeito sempre será mais duro, que o bife do “mal-agradecido”.
Agora para apimentar as conclusões e aquecer suas “línguas de trapo”, farei a todos uma confissão. Estou à beira do esgotamento dos versos. Portanto já tracei metas para desfrutar de boa aposentadoria. Tragam-me um guerrilheiro de corpo bonito, e passado ensangüentado. Necessito ao meu lado alguém de destino menos vegetativo. Hoje declaro guerra à escassez de vitalidade, estou confrontando o conformismo.


Emanuelle Rodrigues

domingo, 28 de outubro de 2007

A depressão da geração Beat

A depressão da geração Beat

Parte I

Os anos 80 revelaram grandes estrelas e poetas dentro da música nacional, principalmente no campo do Rock. A maioria das músicas debatiam temas polêmicos, como: o sexo, as drogas, a política e a violência urbana. Eram amores mutilados e desiludidos, idéias libertárias desfalecidas, sonhos e revoluções que agora parecem ter ficado para trás, enterrados junto com os ídolos que levantaram multidões de jovens nas décadas de 60’ e 70.
As composições convidativas a revolução cultural-intelectual, começaram a ter espaço somente dentro de alguns poucos grupos que persistiram a ideologia das décadas anteriores. Pode- se observar facilmente em trechos de canções da época a monotonia e a falta de esperança que invadira o coração juvenil.

Ideologia/ Cazuza: “Meus Heróis morreram de overdose, e os meus inimigos estão no poder, Ideologia eu quero uma para viver...”

Terra de Gigantes/ Engenheiros do Hawai : (...)” Hey mãe! Eu tenho uma guitarra elétrica. Durante muito tempo isso foi tudo que eu queria ter. Mas, hey mãe! Alguma coisa ficou pra trás. Antigamente eu sabia exatamente o que fazer...”

Há Tempos /Legião Urbana: “ Parece cocaína, mas é só tristeza. Talvez tua cidade, muitos temores nascem do cansaço e da solidão, descompasso, desperdício. Herdeiros são agora da virtude que perdemos...”

Veraneio Vascaína/ Capital Inicial : “ Porque pobre quando nasce com instinto assassino. Sabe o que vai ser quando crescer desde menino. Ladrão pra roubar, marginal pra matar, papai eu quero ser policial quando eu crescer....”

Os Cegos Do Castelo/ Nando reis: “Eu não quero mais dormir, de olhos abertos me esquenta o sol. Eu não espero que um revólver. Venha explodir, na minha testa se anunciou. A pé a fé devagar, foge o destino do azar, que restou...”


As composições relatavam sempre paixões e experiencias passadas que não obtiveram sucesso. Os nossos heróis estão cansados e atônitos. Nesse momento o mundo vive uma dura guerra de nervos, tão fria quanto estasiante.
No Brasil “Os anos de ferro” da ditadura militar, pareciam cair por terra. Entretanto logo depois a era Collor, levou a geração Cara pintada ás ruas, protestanto seus direitos. O muro de Berlim não demoraria muito a desabar, junto a URSS e o “seu” socialismo.
A descoberta da AIDS, também contribiu para colocar “cabresto” nos filhos e filhas de Woodstock. Pois agora a teoria de amor livre ( sexo desenfreado) desabava junto com consumo das drogas .A camisinha poderia ser um recurso, mas o momento era de silencio absoluto.
Cabe ressaltar, que muitos, idolos daquela geração estavam contaminados com o virus da AIDS. Fato que inspirou cabeludos, punks e libertários, vestirem o terno e adentrar nas faculdades. Mais tarde tornando-se patroes e desposando as virgens que restaram, se caso tivesse restado alguma .

“O meu prazer .... Agora é risco de vida. Meu sex and drugs, Não tem nenhum rock 'n' roll. Eu vou pagar A conta do analista. Prá nunca mais, ter que saber quem eu sou. Ah! saber quem eu sou... Pois aquele garoto, que ia mudar o mundo. Mudar o mundo... Agora assiste a tudo. em cima do muro...” Ideologia, Cazuza


Emanuelle Rodrigues

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Viva a outra, nova roupa!



Viva a outra, nova roupa!



Nada, nada, nada os reprime.

Não vestem sapatos, e consomem ótimas mídias.

Ainda há duvida que sejam civilizados?

O verbo banaliza a arte.

Enquanto o poder cessa o verbo!



Capítulos e paixões encerram o primeiro ato.



Cuspe, fel, e dignidade.

São elementos presentes no suor escravo.

Enquanto as batalhas, violas e o imediatismo,

disseminam uma cena estética burguesa.

Comprem, roubem, alimentem-se

Das esquizofrenias industriais.

Vivam suas próprias overdoses.


Mutilem a carne, mas nunca deixem

de estampar as colunas sociais.

Ainda que outrora vocês só queriam ser diferentes.




Capítulos e algumas décadas encerram o ato final.



Emanuelle Kaliny Rodrigues








Eu Era um Lobisomen Juvenil
Legião Urbana
Composição: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá



Luz e sentido e palavra, palavra é o coração não pensaOntem faltou águaanteontem faltou luzteve torcida gritando quando a luz voltouNão falo como você fala mas vejo bem o que você me dizSe o mundo é mesmo parecido com o que vejoprefiro acreditar no mundo do meu jeitoE você estava esperando voarMas como chegar até as nuvens com os pés no chão?O que sinto muitas vezes faz sentidoE outras vezes não descubro o motivoQue me explica porque é que não consigo ver sentidoNo que sinto, no que procuro e desejo que faz parte do meu mundoO arco-íris tem sete coresE fui juiz supremoVai, vem embora, voltaTodos têm, todos têm suas próprias razõesQual foi a semente que você plantou?Tudo acontece ao mesmo tempoNem eu mesmo sei direito o que está acontecendoE daí, de hoje em diante, todo dia vai ser o dia mais importanteSe você quiser alguém pra ser só seuÉ só não se esquecer: estarei aqui {x2}Não digo nada, espero o vendaval passarPor enquanto eu não seiO que você me falou me fez rir e pensarPorque estou tão preocupado por estar tão preocupado assimMesmo se eu cantasse todas as cançõesTodas as canções, todas as canções, todas as canções do mundoSou bicho do matoMas se você quiser alguém pra ser só seuÉ só não se esquecer: estarei aqui {4x}Ou então não terás jamais a chave do meu coração.


domingo, 21 de outubro de 2007


Poderia deixar algumas misérias para trás, e mendigar liberdade rumo a San Francisco. Provavelmente esqueceria a fome, e nunca mais visitaria os velhos incrédulos, que foram companheiros.
Essa jangada de ossos, chamada atualidade, deve naufragar a qualquer instante. Pois a insegurança limita insurreições e mutila nossos soldados. Como faremos para educar nossa prole? As flores não estão nos cabelos, estão cobrindo os números de guerra.
Quem somos nós? Llibertários por missão? Ou missionários escravos da libertação?
Somos carnívoros, introspectivos e sóbrios por natureza. Acreditamos no milagre econômico, à medida que ensaboamos mantos de sangue, aguardando a próxima chacina.
Ainda que seja bonito e corporativo, usarmos roupas de linho, e lutarmos pela paz de Israel. Que nós sejamos fieis ao este solo herege, ainda que só por hoje.
Eis a maior prova de caridade. Para sermos dignos de vivenciar a paz nacional.


Emanuelle Rodrigues

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Mary Janis let's GO


Mary Janis let's GO

Derrapando em sentimentos, e magnetizada pelo desejo, Maria fez a revolução! Destituiu o direito dos desclassificados e mostrou a força contida na simbologia do all star. Um dia conheci essa jovem que destruiu as barreiras do sentido, esta desabilitou o pulmão, mas nunca se rendeu ao tabaco. Certos astros são medíocres! Ora, eles estão muito contentes nessa galáxia estabelecida. Porém aposto minhas fichas em Maria. Precisamos incendiar o véu em busca da terceira dimensão. Quem disse que o Sonho acabou? Precisamos somente remodelá-lo. Mary Janis let's GO!

Emanuelle Rodrigues






Aluga-se um apartamento! Contudo, não anseio espaço requintado, preciso somente conviver comigo mesmo. Chega de exigências e reclamações. Busco uma taverna suburbana, que cure as minhas náuseas diárias.
Prometo não promover balburdia, posso ate controlar minhas depressões carnavalescas, e quem sabe atrás das cortinas posso até me tornar um sujeito normal.


Emanuelle Rodrigues
" Há uma vez que canta, há uma voz que dança.... uma voz que gira bailando no ar..... queira, basta ser sincero e desejar profundo, você será capaz de sacudir o mundo..."
Raulzito

Como disse o mestre Renato Russo:

“TEM GENTE QUE ESTÁ DO MESMO LADO QUE VOCÊ, MAS DEVERIA ESTAR DO LADO LÁ... TEM GENTE QUE MACHUCA OS OUTROS, TEM GENTE QUE NÃO SABE AMAR...” (...)

“ESCURIDÃO JÁ VI PIOR, DE ENDOIDECER GENTE SÃ, ESPERA QUE O SOL JÁ VEM...”

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Caminhando, chorando e seguindo o calvário.

Caminhando, chorando e seguindo o calvário.

Trabalho mais de duzentos dias por ano. Tempo insuficiente para amadurecer e encher minha conta corrente. Preciso de amor, menos críticas, e comparações depravadas.
Certas tradições parecem mais jurássicas que as cintas ligas das vedetes medievais. É estranho, porém fácil sentir-se normal no país de teoremas loucos. Não é mistério encontrar um grande amor. Contudo depois da meia noite, a princesa pode desabrochar tenebrosa.
Indignados os pequenos com suas mochilas aguardam o próximo ônibus, ridicularizados pela falta de “padrinhos”. Em contrapartida o descamisado burguês atravessa os semáforos fechados. Talvez seja punido, mas jamais condenado.
A única verdade que me sustenta, é o que alimenta os meus adversários. A dúvida é o que me leva a busca, esta me torna insaciável e incompreendido. Sempre discordo do certo, acreditando não pensar errado. Caminhando, chorando e seguindo o calvário.

Emanuelle Rodrigues

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Basta! Cessem os limites.


Basta! Cessem os limites.

Hoje não vou tolerar, a minha ditadura é confessa. Ou seria digno degustar caviar a bordo de um navio a deriva? Surpreenderei omitindo a verdade, e creio que serei mais feliz.
Ora, anseio liberdade! Mas me julgo preso aos grilhões da ilusão. Talvez compondo versinhos vulgares, narrando ingratidão. Eu ganhe moedas e não precise servir a futilidade, a qual me repudia tanto.
Prostituir-se é esmagar os próprios ideais e sonhos. Caro amigo, é duro causar otimismo em homens de bem. Certas virtudes controlam tolos a votar, trabalhar e serem felizes. Porém aqui eu nunca serei a próxima vítima.
Estou triste, e não tenho medo de apresentar-lhe o médico e o mostro que se escondem dentro de mim. Em contraponto está a descriminação a minha falta de ética.
Inexistente ética em viver deliberadamente a literatura. Acreditando que a solução para o mundo está nas palavras, as quais certas vezes o condenam.
Magoado, sensível ou repetitivo, preferível é ser incisivo, e consciente. Que boas ações restam aos feiticeiros e videntes? Eles estão vencidos, são homens estrangulados pelo limite da gravata.


Emanuelle Rodrigues

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Satisfação



Satisfação

Belo dia, doces satisfações, olheiras abaixo da viseira, viseira acima das pálpebras. Ainda que a humanidade sinta-se livre como vento. A classe média custa a escalar sempre os mesmos degraus. Enquanto isso o proletariado doutrinado a abstinência dos próprios direitos, saciando-se de “marmita”.
Nas noites suburbanas, os homens da lei servem ao diabo cadáveres de marginais a la carte. Ora, bem se sabe que o pai da capa preta abraça com estase os pecados deste povo. Principalmente a inconsciência e a ignorância.
Quem acredita na utopia é libertário, ou escravo da própria missão. Mas a juventude que tem acesso ao conhecimento joga os livros pelo ralo de suas inconseqüências.
As bolsas são a solução, as bolsas das senhoras, senhoritas e as bolsas-benificio que obrigam o filho do cabloco a participar da escola. Por que ler? Vamos todos carpir e adubar o solo desse país somos aliados a subsistência.
Basta olhar pelas janelas, as metrópoles modernas, eis a nossa frente a bendita globalização. Monopólios informativos, privatizações a toda prova. Malandragem é o principio. Contudo, é impossível esquecer a descendência e o apego ao conhecimento insano.
Adão e Eva sobreviviam em sua Anarquia bíblica. Apesar do temor a Deus. O casal consumia todos os frutos do Edem. Entretanto a serpente astuta através de uma ou duas frases, envenenou a natureza feminina e ego centrista de Eva.
A jovem comeu a maçã, e nós estamos aqui, vendidos e perdidos pelo pecado original, a mais antiga das ilusões. Querer ser o que nunca conseguirá deixar de buscar, satisfação!

Emanuelle Kaliny Rodrigues


sábado, 6 de outubro de 2007

Woodstock parece longe, mas as sandálias franciscanas ainda seguem pelas avenidas da atualidade. Não tenho guitarra, garganta ou microfone. Sou um colecionador de verbos, em busca de ousadia.

Salve a Pátria dos lobisomens onde homem vira ladrão, e ladrão vira homem, lá pelas bandas do cerrado . Somos a geração da new MPB, que oferece ritmos tão máquinados e simplórios, Made in Planeta dos Macacos.

Ora, nada é tão normal, os caras pintadas de hoje enfeitam as unhas, e acreditam fazer revolução quando vestem roupas quadriculadas.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Se nada der certo viro hippie


Jô Soares, o gordo da madrugada

Enaltecido pelo corpo robusto e mitificado pela língua afiada. Aquele que nasceu Jô carrega até as estrelas a família Soares.
A caneca sobre a mesa seduz, confunde e desafia. Os verbos em excesso já incriminaram políticos. Ora são reis destronados de poder e microfone.
Abordagens enigmáticas, risadas contidas e respostas amarelas, incendeiam diálogos promíscuos e redundantes.
O som do hino da insônia denuncia o reinado do “garoto da madrugada”. Este é o homem das palavras mortíferas como cicuta. Jô soares articula, inventa desafora. Tornando-se o mais ilustre global do Monte Olimpo.
Catequizando os Santos e vestindo paletó burguês o discurso na madrugada estimula a corriqueira demagogia, tão cotidiana, característica forte de Jô Soares.

Emanuelle Rodrigues



O Tempo Não Pára
Cazuza
Composição: Cazuza / Arnaldo Brandão
Disparo contra o solSou forte, sou por acasoMinha metralhadora cheia de mágoasEu sou um caraCansado de correrNa direção contráriaSem pódio de chegada ou beijo de namoradaEu sou mais um caraMas se você acharQue eu tô derrotadoSaiba que ainda estão rolando os dadosPorque o tempo, o tempo não páraDias sim, dias nãoEu vou sobrevivendo sem um arranhãoDa caridade de quem me detestaA tua piscina tá cheia de ratosTuas idéias não correspondem aos fatosO tempo não páraEu vejo o futuro repetir o passadoEu vejo um museu de grandes novidadesO tempo não páraNão pára, não, não páraEu não tenho data pra comemorarÀs vezes os meus dias são de par em parProcurando uma agulha num palheiroNas noites de frio é melhor nem nascerNas de calor, se escolhe: é matar ou morrerE assim nos tornamos brasileirosTe chamam de ladrão, de bicha, maconheiroTransformam o país inteiro num puteiroPois assim se ganha mais dinheiroA tua piscina tá cheia de ratosTuas idéias não correspondem aos fatosO tempo não páraEu vejo o futuro repetir o passadoEu vejo um museu de grandes novidadesO tempo não páraNão pára, não, não páraDias sim, dias nãoEu vou sobrevivendo sem um arranhãoDa caridade de quem me detestaA tua piscina tá cheia de ratosTuas idéias não correspondem aos fatosO tempo não páraEu vejo o futuro repetir o passadoEu vejo um museu de grandes novidadesO tempo não páraNão pára, não, não pára..."

O banzo das molecas.



O banzo das molecas

Descalça, e aflita uma mulata corre noite adentro. O pecado dos “brancos” não vem da mente, a perdição está tatuada na cintura morena.
Silenciada pelo facão, Severina é jogada a força nos campos serenos, a margem do riacho, derrama as lágrimas de inocência.
Maltrapilha ao cair do sol, envergonhada pela circunstancia, leva à senzala a notícia, paga o preço de sua vergonha. Desfalece humilhada no canto do terreiro.
A mulata perdeu as tranças. A paixão pela vida foi embora, Severina adormeceu serena, e acordou mutilada pelas mãos desumanas.
O engenho parece angustiado. A ausência de cantos e danças é relativa à tristeza absoluta. Infelizmente a imoralidade doutrina as noites, e o repúdio deflora os pudores.
Logo, vêm à alvorada. Esta traz em mãos o feitor e o chicote. Eis, aqui a maior mácula, germinada nos canaviais brasileiros. O banzo das molecas. Amedrontadas, as moças pedem aos orixás que nunca chegue a sua hora!

Emanuelle Kaliny Rodrigues.

Missão, ética ou gratidão?

Missão, ética ou gratidão?

Vendidos aos cegos do sistema, lançamos mão de uma postura ética. Nossas ideologias parecem vedetes, tão mercenárias quão desiludidas.
As questões político-partidárias funcionam melhor que os moderadores de apetite, elas quebram protocolos e inibam a fome por informações verdadeiras.
Ainda existem resquícios da comunicação, chamada de publicitária. Os outdoors estão no horário nobre, e a geração pós- televisão não arrisca discordar dos figurões da grande imprensa.
Seria herege apedrejar a mão amiga, da qual recebemos a esmola, e através dela compramos os auxílios e benefícios de cada dia. Não que a mídia deteste o homem. Tampouco o problema está nos olhos de quem lê a revista, ou seja, como faz.
Escravidão literária, é a causa que nos prende aos verbos e retira o foco das manifestações libertárias. Ora, enquanto os poetas e jornalistas descrevem a própria desgraça, e lamentam a morte de Luis Carlos Prestes. A publicidade dissemina retórica aristotélica e converte as massas a sua própria vontade.
Analisando os lados opostos, Ernesto era um bom companheiro. Rende milhões de aplausos nos blocos de esquerda, e boas vendas as grifes de camiseta.
Não é diferente com jornal. A busca por leitura é escassa. Quem sustenta os comunicadores são as verbas das colunas sociais. Portanto, alfinetar Marcos Valério não lhe parece hipocrisia?

Emanuelle Rodrigues

sábado, 22 de setembro de 2007


sábado, 1 de setembro de 2007

A geração cesta básica

A geração cesta básica


As páginas amarelas já ultrapassadas subornam pais e mães omissos, “cavalos” de literários estrangeiros. O sol firma acordos, o dia estabelece dívidas, e o playground assassina a nossa liberdade. Os tributos são gritantes, e ainda queremos um país amordaçado? O homem ao meu lado está tricotando os quadris das benzedeiras.
Gingando energia, surrupiando armadilhas, estamos à espera do carteiro, pois as linhas falhas, não trazem as noticias.
Regurgitando dialetos, os escravos da constituição, desenvolvem atrás das grades, duros artigos institucionais. Pobres são os guerreiros, servos da lei e do canhão que ora defendem os desafios neoliberais.
Parcelando juros, os cidadãos vivem de unhas curtas, organizando suas medíocres passeatas. Os “panelassos” estão na mídia, às passeatas são panelassos, e os panelassos? São greves egoístas!
Estraçalhando os vivos e purificando cadáveres os bancos e coirmãos do povo, fabricam comerciais, com trilhas sonoras românticas. Dezenas de pálpebras inflamadas estão fechadas para balanço. A multidão e o movimento hippie hoje ilustram os livros de história.
De pantufa na sala e pijama listrado, os malucos apontam críticas à escravatura protegidos pelas trancas e cadeados. Lecionando carnificina e aspirando gás carbônico à vida na metrópole é segura, vivendo a margem do Tietê, os cultivadores de cactos desfrutam de água em abundancia.
Contudo os espinhos aprisionam o ventre e arrancam o pão das nossas bocas. Desde a semana passada que os nossos diplomas viraram forros de gavetas.
A aventura na cidade grande enriquece cobradores, e acaba amamentando a geração cesta básica.


Emanuelle Kaliny Rodrigues

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

A agonia da maioria

Falta de UTI no Hospital da Criança

O insistente gemido na alvorada anuncia as trevas ao amanhecer. O caos urbano está armado. É Menos um dia de glória aos ipês amarelos, que adoçam a estação da penúria nas filas da saúde pública.
Desfilando pelos corredores a fora, um homem clama a misericórdia de outros iguais a ele, que não podem fazer nada. É inválido o meu e o seu pesar, pois nunca sabemos chorar como pais. Vivemos na incerteza, como filhos pródigos de Deus.
Sendo Lucas, ou João, a tolerância é a mesma, e as repostas são tão negativas quão redundantes.
As sepulturas estão ali abertas, e parecem tão sedutoras! Somos todos anulados, pela falta de palavras, vendo o coma de antes, ser herdado pelos nossos filhos. Mas o que nos dizem quando faltam as UTIS? Há os que digam que elas logo chegarão. Ainda que eu não acredite, sigo a vida, o que me resta é navegar.
É árduo ser homem nessas horas! Homem para votar! Homem para ouvir, e ser obrigado a concordar que desconheço os meus direitos. Trabalho para viver, e sobrevivo sem pensar como deveria ser.
Abandonado á ausência de recurso está um pai. Pai o qual repudia a própria sorte. Sorte que não deu a ele um bom plano de saúde. O que são dezessete horas de desespero? Visto que até mesmo os bancos são escravos da escassez do tempo.
Compadecimento, abraços e condolências, talvez façam alguém sentir-se melhor. Entretanto, caridade e ausência de ações não ressuscitam novamente lázaro. O comodismo só ajuda enterrar mais algum Douglas.
Ainda me dizem que é cedo para voltar atrás, insistem em dizer-me que devo esperar e olhar com mais atenção a minha volta.
Certamente verei mais coroas e menos flores. Ou será que verei menos pirâmides, e não sentirei mais essas dores? Eternas dores de parto por ter gerado filhos, que vão depender da saúde pública.



Emanuelle Rodrigues

domingo, 19 de agosto de 2007

" A vida é um eterno acrescentar diário de inimigos!"

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Parábolas do Cotidiano



Parábolas do Cotidiano


Franzindo as sobrancelhas e de cara enfezada, o garoto não aceitou a amigável crítica. Frederico abaixou a cabeça, mordeu a língua, e não deixou sua voz aveludada a serviço de parábolas do cotidiano.
Ressentido pelo desabafo alheio, e deslumbrado pelos holofotes iluminando as maçãs da face, cortou relações com a família, mudou a maneira de ser, agora é estigmatizado pela falta de caráter.
O Brasil relaxa a sombra do comodismo, e goza o prazer de descansar em paz ao som das balas perdidas. Os idealistas e porta-vozes das massas são como Frederico, que descansa ansiando a chegada da aposentadoria.
Sentindo os arrepios das turbulências aéreas e econômicas, e temendo o deslanchar da carruagem chamada Senado, o brasileiro vive a sambar as marchinhas de gado, as marchinhas musicais populares.
O rádio toca esses louvores para prestigiar as gravadoras, e escutando vozes terceirizadas e conhecidas, Frederico deixa de ser da Silva, agora é Fred da Mídia.
Emergindo no sonho neoliberal, Implantou-se a vassalagem, vendeu-se oratória em troca de fama, contudo a preço de banana emprestou-se a boa retórica as agências de publicidade.
As galinhas filósofas não botam ovo de ouro, entretanto ensinam o minerador a pintar as bijuterias de tinta dourada. Na era dos meninos cara - de –bolachas, as charges deixam de serem manifestações opinativas, e rendem horas e horas de entretenimento e piadas.
Tolerância, consciência, e rapidez enaltecem os diários pagos e escondem atrás do português formal, o escracho da comunicação instantânea fundamentada em releases.
Frederico não compreende certas coisas, apesar de experiente, fora criado no submundo que a Wide Word Web, é simplesmente WWW. e ponto final, sem acréscimo, tampouco contestações.

Emanuelle Kaliny Rodrigues


quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Santos políticos de muita fé

Santos políticos de muita fé

Diálogos populistas que vivem a burlar a ética e não se fazem presentes em certos mandatos. Promessas vãs, que oferecem terrenos no paraíso junto aos anjos. É o engano secular, chamado política. Política que entoja os ouvidos de eleitores, os quais não podem contestar ações, pois a estes falta o “VERBO”.
O desapertar na madrugada aos gemidos prossegue nas filas inacabáveis, da saúde, e deve persistir enquanto os santos, os santos homens de gravata, portarem-se de maneira irrepreensível somente no auge de suas campanhas.
A crença por melhorias e esperanças no Estado, já caiu no descaso público. Enquanto a teologia libertadora de alguns governantes coloca nas mãos a arma, e incentiva a revolta civil. A geração incompetente alienada pelos meios de comunicação, chamada juventude está descrente na força do voto, e começa a crescer em números, sendo oprimida pela falta de garganta.
Os homens de gravata ganham o senado, os homens de gravata estão no poder. A supremacia conservadora é a elite, a elite acredita ser professora de Deus.
Desprovidos de autenticidade alguns políticos usufruem das carências urbanas para auto-promover-se, outros nem esperam o dia 2 de janeiro para arrancar a fantasia do zorro.
O fiasco do poder é aquele que a mídia acredita ter sobre alguma instituições estatais ou privadas. Os canais são porta vozes publicitários, e as noticias não informam, apenas recortam cenários.
A luta das classes, para que esses homens públicos cumpram esses deveres é insignificante, são pautas para as páginas policiais. Os rostos pintados e caras descontentes são titulados por hereges descendentes de Iscariotes, que não acreditam no Governo dos “santos”, santos políticos de muita fé.

Emanuelle Kaliny Rodrigues

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Ser Político X Ser humano

Ser Político X Ser humano

Às vezes a tarefa de ser humano e político é tão complexa como estar aqui, inevitavelmente já sentindo saudade de um ontem o futuro do hoje, já tremendo os joelhos e sentindo arrepios de medo do breve amanhã. Como o raríssimo sentimento de culpa, que nos afeta quando erramos. Pois é fatal o poder da falha, tanto no coração do homem maduro; quanto do aplausível eleitor. Extirpa a honra de ambos e também sua conduta, E acabam digladiando-se todas as manhãs, noites e madrugadas, Remoendo essa daninha erva que é o erro de não saber governar e tampouco votar.
Na alma do envelhecido desiludido governante, não existe nenhum resquício de malandragem, pois se esqueceu como é ter espírito de liderança, E deixa de tê-lo nas horas mais oportunas. Regredindo mais ainda aos olhos da sociedade, que é severa, mas deixaria de ser nublada, Se enxergada sem a venda.
O que torna impotente os valores do líder da massa são os “desvalores” pregados por essa corrompedora doutrina, do instinto político que confundiria até a cabeça de um “bolchevique”, E nesta temível hora “apertem os cintos”, pois a economia previsivelmente sofrerá uma pesada turbulência.
Entretanto cabe ao líder do proletariado encurtar seus bonitos discursos e não ser breve ao segurar os grandes alicerces da sociedade, que são a ética do homem de bem e a esperança do povo. Entretanto aos maus frutos desta videira que não sejam jogadas cordas para salvá-los deste naufrago, pois estes devem afundar-se em seu próprio maremoto.

Emanuelle Kaliny Rodrigues

Confissão de Fraqueza

Confissão de Fraqueza

Seus olhos me atraem e não sei o porquê, nem o calor me afasta da vontade de te abraçar constantemente, malmente acordei e não consigo deixar de me embriagar de tanto entusiasmo para enxergar alguém de carne e osso. Um entusiasmo que mortifica as minhas ações, e deixa lento o meu solitário e introspectivo cotidiano.
O estar é mais agradável que o sonhar, e o sonhar é fútil ao lado do saber! Tão sóbrio e característico, tão meu, e tão ausente, quando estou próxima de encontrar o que eu não quero enfrentar, um sentimento verdadeiro, indecifrável e inconseqüente chamado amor.
Esse amor de maneira meiga, porém tão sagaz, me conquista e deixa um combatente fora de área por alguns breves minutos, horas ou até anos, pobre beata, pobre poeta, ambos estão a beira de um latrocínio, estão a beira de um ataque de risos, de um contentamento superficial, estão pronto para cruzar olhares, eles vão se apaixonar! Provavelmente para ritmar a trama de uma narrativa de alguém que tão pouco pode relatar. Confesso a mim é desconhecido e tal de amor, que ilustra tantos contos, e desvirtua tantos desalmados, e os ensina a duras penas a regarem as narcíseas.

Emanuelle Rodrigues

Garotas tão mulheres, mulheres tão garotas

Garotas tão mulheres, mulheres tão garotas

Garotinha alguém te magoou?
Seus olhos hoje não estão brilhando.
Sua voz parece cansada,
E vejo uma gotinha de lágrima
Rolando em seu rosto.
Não importa o que lhe fizeram
Minha criança,
Aperte forte a minha mão
E não leve em consideração seus carrascos,
Somente sorria para a lua,
Pois meu coração fica sem rumo
Ao te ver chorar.
Garotinha corra para as montanhas,
Esqueça por um momento
Do que lhe atormenta,
Seus amigos irão lhe ajudar,
Mesmo que sejam poucos
O tempo às vezes é insano,
Mas deixe-o passar e tudo se ajeitará.
Garotinha coloque um vestido novo
E passe um batom suave em seus lábios,
Vou te levar ao parque,
E vamos comprar algumas flores,
Plantá-las-emos próximas as janelas
De sua casa, para te alegrar!
Garotinha é como se me
Lançassem uma fecha no peito
Ao ver suas pequenas mãos tremulando a cada instante.
Garotinha as pessoas não te compreendem
Mas sempre de uma triste historia
Surge uma bela canção, a qual o coração conforte-se.
E os meus dias que eram doces,
Meus sonhos que eram muitos,
Acabam ficando de lado quando te vejo
Soluçar ao luar.
Garotinha há meninas que conseguem
Ser felizes com pouco,
Mas você não é menina para
Qualquer homem magoar,
Eu sei que por trás desta face calma de criança,
Há um grande mal de amor.
Garotinha não deixe que roubem seu tempo
Pois agora tu és criança,
Coloque um vestido, e corra para as montanhas
Com seus óculos de sol
Garotinha.
Emanuelle Kaliny Rodrigues

Estrofes com muita e tinta e pouco papel.

Estrofes com muita e tinta e pouco papel.

Lá vai o pássaro desorientado na tempestade, carregando sobre as assas algumas memórias, as prováveis páginas de mais algum romance utópico. A angústia do escritor está implícita em cada palavra jogada ao papel branco. Fogo, discórdia, independência, e os amigos malfeitores junto à costumeira instabilidade de espírito.
Chegou o dia, trazendo juízo às donzelas, e as dissimuladas doze horas que faltam, dignidade e inspiração ao profeta coxo. Eis sobre a mesa longa os resquícios de uma noite de bebedices. Vinho, lamparinas apagando-se, talheres, e algumas flores que deixam menos despida a simplória mesa de jantar.
Os olhos fotografam o que não estampa a capa dos jornais: noites compridas, casamentos acabados, e fenômenos para-normais. Olheiras, personagens de gaveta, sangue e mais sangue derramado no papel. Descriminações, perturbações, e senhoras e seus telefonemas evasivos, lançam aos ouvidos palavras com gosto de mel.
Suor, mãos tremulantes, espectros da madrugada atormentando a mente. São atentados adversos que não livram o poeta de gerar. Ao longo dos anos, as lágrimas não resistem, ao som do auditório, aclamando e boquiaberto diante das palavras consagradas.
Menos que cinco troféus, e meia dúzia de seguidores, é o resultado das frases inéditas. E sem mérito, os homens incorruptíveis desvalorizam os versos com suas estrofes que estampam os banheiros.
As rimas ultrajadas são cobiçadas somente pelos humanos pensantes, palavras seresteiras que hoje são hinos socialistas. Enquanto os romances utópicos são ininterruptos e narram ações pitorescas. E não somente por ora que estão dotadas de falsas manchetes abolicionistas.
Enfim este é o cotidiano literário! Que há séculos rende livros com páginas fabricadas de papel reciclável. Contudo o otimismo e a arte sentimentalista enaltece o arco-íris, e deixa o pote de ouro para os homens de discursos limitados, e de alma pouco melancólica.
Felizmente a prosa e o oculto unidos ao vocabulário indiscreto, e expressivo, conquistam sorrisos jovens, mas não rende alardes às matracas. O despertar poético é para poucos, tampouco a escrita não dura um instante é eterna, simbólica, simples, e jamais será inválida. Os verdadeiros escritores são aqueles, homens e mulheres acostumados a escrever com muita tinta e pouco papel!


EMANUELLE RODRIGUES

As Corujas e seus disfarces, contendas e facetas

As Corujas e seus disfarces, contendas e facetas


Salteadoras e amargas são as corujas enigmáticas que cercam o colecionador de ossos. Sentam ao seu lado, sorriem, disfarçam, mas estão maquiladas de incertezas e são redimidas pela sua ignorância.
Conheci um grande homem, de muitas posses, que colecionava ossos, e olhares desafiadores. Estava a serviço do saber absoluto. Contudo a tolerância, não o livrou de participar de uma tortura amigável e mortífera.
A que ponto a necessidade do aprendizado, era tão real quanto aquela convivência desregrada e infértil? Vê-se uma águia, forjando ser abutre para recuperar as moedas de prata. Comanda a guerra e é insubmissa, ainda que não morra pela espada.
Apaguem as cópias, o colecionador de ossos é a peste do momento! E não há quem o supere. Inclusive as penosas e pitorescas que por ora embriagam-se de vinho, e não regam as videiras. Pobres, mulheres endividadas, que serão banquete de eloqüentes morcegos sedentos de sangue.

Entretanto, do outro lado da ponte, o despertar da guerra matutina aliada a um brilho veloz e autentico, a águia enfurece os estelionatários das palavras. Surpreende e em tom infame e arrojado faz balé e lindos versos que confundem os gênios descriminados.
As coisas vãs são a mentira, o vício e o apego a pessoas desumanas. Acabam com a intimidade entre amigos e trazem o temido anonimato. Mas os furos nos olhos não trazem a remissão das injurias, somente afastam o medo do pecado.
Tapeando o cansaço diário o espetáculo da águia doutrina até o colecionador de ossos. Decepcionados os murmuradores lançam sobre si maldições e condenam-se ao eterno anonimato.
As corujas são incrédulas e escondem-se na noite, são o restolho da floresta e jaz esquecidas ao crepúsculo. Enquanto as águias rasgam as nuvens, sobrevoam os montes e são símbolos de onipotência.
Portanto, ainda que faltem ossos ao homem, ouro ao salteador, e contendas ao fofoqueiro. As guilhotinas permanecem à espera das corujas e seus disfarces, contendas e facetas


Emanuelle Kaliny Rodrigues

Sucesso, cifrões e lições de vida.

Sucesso, cifrões e lições de vida.

Albert teria todos os motivos para ser humano, era ultrajado e sabia ser imprevisível. Fazia amizades, e conquistava seus desafetos rapidamente. O mal dos homens inquietos é a franqueza inevitável.
Maltrapilho por dentro, arrojado por fora, essa característica fez um sabichão e inconseqüente, conquistar o mérito de genro perfeito para as madrastas, aquelas que repudiam até mesmo os seus filhotes prematuros.
Desmamado e falido sentimentalmente, Albert se fez grande. Pois sabia diante de quem e quando prostrar-se. Logo, não tinha talentos múltiplos, nem olhos biônicos, tampouco apetitosos ombros largos. Conquistou o mundo, somente com o seu olhar preciso.
A dez minutos do ataque alienígena, lá vai o Albert ganhar as forças opostas. Cinco palavras, aperto de mão, e talão de cheque, enfim a santa paz, agora são todos bons amigos.
Sigilo, ambigüidade, palavras túrgidas em letras garrafais. O rosto do mais ilustre magnata está estampando na capa dos jornais. Os bons e velhos tempos da grande babilônia.
Quem não luta não ganha! Quem não maltrata, apanha! Quem não é Albert é escravo dos sonhos de outrem, dos filhos de outrem e passa a vida inteira, contemplando o sucesso dos inquietos e maltrapilhos.


Emanuelle Kaliny Rodrigues

Aposentado, contido e calado.

Aposentado, contido e calado.


Todos os dias quando os vermes invadem as minhas narinas e corroem as minhas viceras, lembro dos tempos que as notas incendiavam uma guitarra velha e maltratada. Era bom ser jovem, era melhor ser vivo. Vivo ou morto, mas não precisávamos votar.
Hoje dançando sobre o fogo, saltitando pelas facas, tirando coelhos das cartolas e abandonando a ideologia libertária, não me sinto fraco, somente indigno de assinar o meu nome.
Casei tenho filhos, abortei o novo século, adotei os padrões burgueses e alienados, sou uma massa televisiva, sou um translúcido a ponto de morrer pelo emprego. Sem idéias, e com menos gritos, idolatrando um novo rock sem volume, me encontro jogando palavras e montando versos que não confrontam ninguém, somente conformam.
Conformismo inútil, apologia a mortos vivos, vocações e convocações a andarem despedidos. É despidos de sangue e juventude. Vivo hoje uma indecisão que amortece as canelas. Embora, hoje creio que estou em obras ou fui tombado pelo patrimônio público.
Com um fígado decepado, e cordas vocais interronpidas. Descrevo a você o futuro e a vida na taverna dos assombrados. Os ventos me trouxeram e me enterraram por conta própria, não choro, até agradeço os com fervor os meus assassinos. Antes condenado e morto do que aposentado, contido e calado.

EMANUELLE RODRIGUES

Os homens do topo do mundo

Os homens do topo do mundo

Ser jornalista não é pedir emprego é compartilhar sonhos, pois é a única profissão do mercado de trabalho que permite ao profissional ou mesmo estudante de comunicação social tornar-se um “expert” acima de tudo na arte da “ pincelada”, ou seja, manter relações mais profundas ou não com assuntos ligados e interligados a sua realidade profissional, social ou doméstica. Ser jornalista é dissertar antes de respirar, é discutir sobre teorias, ideologias, linhas de pensamentos de todos os grupos dentro da sociedade, sem temer a ousadia de concordar com elas ou não, pois nem sempre o jornalista tem conhecimentos aprofundados sobre o assunto a ser debatido.
Entretanto o comunicador social acaba se tornando um bom analisador de hipóteses e fatos, não somente pelo vasto campo que estende sua profissão, mas também pelo apanhado de informação que acaba recebendo diariamente, não que ele exerça poder algum sobre a informação, mas este pode interpretá-la a sua maneira, segundo o seu ponto de vista, mesmo que lhe pareça objetivo, antes de fato de ser jornalista o individuo com boa desenvoltura ao se portar em público torna-se melhor que os outros “mortais” porque leva jeito com as palavras.
Porém ainda que pessoa comum que cria suas teorias como qualquer outra pessoa, “cheio de eu acho, eu penso” pelo fato de estar ou achar que está “acima do bem e do mal” por ter acesso a informação, acaba levando as demais pessoas a pensarem como ele, e seus receptores acabam sendo manipuladas pela expressividade e firmeza argumentativa características da maioria dos jornalistas.
Alguns estudantes de jornalismo chegam a "viajar" quando se deparam que estão diante de uma realidade que é permitida para poucos e que seus pensamentos que ora já foram considerados utopia, agora são levados em consideração, assim fazendo o individuo sentir se um pouco” dono da lei”, tudo isso é perfeitamente normal, tampouco porque a verdade do jornalista verdade ou não, é “Verdade” é indiscutível, é o ponto final, porque correta, ou não, clara ou oculta é a única que outrem tem acesso.
A melhor profissão do mundo é viver de mente aberta, disfarçando alguns defeitos, remendando alguns furos e viver com a face maquiada, em um meio onde as caras e bocas estão interligadas, pois aqui se interpretam realidades denunciáveis que não irão denunciar-se, ou seja, ter em mente ou mãos o saber tão precioso que muitos não compreenderiam e nem irão ter oportunidade de compreender. Habilitado ou não, réu é juiz, a mídia dá poder ao jornalista, o status o alimenta e a sua ideologia faz parte da entrevista. Ser um ser pensante é ser jornalista, viver subindo é o crescer no jornalismo, é nunca interromper o aprendizado, é estar ao topo do mundo, sempre procurando um pico mais alto.


Emanuelle Kaliny Rodrigues- Jornalismo

Recortava, sorria, sorria e recortava

Recortava, sorria, sorria e recortava

Sentada em uma cadeira de uma sala de espera da faculdade, contava os minutos, para chegar a casa, entretanto não sei se é alguma característica de poetas e poetizas, sempre onde estou procuro o inusitado, aquilo que nunca ninguém se preocupa em olhar, enfim estava eu lá solitária, pensando e filosofando, buscando causas e razões para algumas dúvidas que surgem em minha mente. De repente olhei em um espelho desta mesma sala, nele estava refletindo a imagem de um prédio, rapidamente busquei uma janela, avistei logo a qual estava acesa a luz de um cômodo.
Observei uma menina sentada em uma cadeira recortando algo, primeiramente pensei ser gravuras de alguma revista para algum trabalho escolar, depois entendi que poderia ser fotos de algum ex namorado que a magoou talvez alguma amiga que traiu a sua confiança e ela estava picando em mil pedaços, depois refletindo melhor olhando por um outro ângulo claramente pensei ter achado a resposta, poderia ser ofertas de emprego de algum jornal de classificados, ou até quem sabe sua própria foto na coluna social, mas o tempo passava e eu não conseguia decifrar o que se passava pela mente daquela menina que recortava e recortava.
Já tinha fuçado sua casa inteira, é claro sempre olhando, na sala tinha um sofá cor areia, a televisão parecia estar ligada, a cortina estava entreaberta, ela parecia estar sozinha, ou esperasse alguém, quem sabe morasse sozinha, quem sabe não morasse sozinha, mas fosse só, consegue compreender? Na parede tinha um pequeno quadrinho, estava muito longe não conseguia ver qual era o desenho pintado, porém notei que ao seu lado havia um abajur com a luz já fraquejando, a menina recortava e sorria , sorria e recortava.
Como qualquer um em minha situação morrendo de curiosidade, mesmo sendo algo tão insignificante e de pouca relevância na vida de alguém tão atarefada como eu, ainda sim estava curiosa, mas são tantos os fatos que nos abordam no dia-dia, pois é tão complicado lidar e entender o porquê as pessoas fazem certas coisas, mas queremos sempre saber a causa, por menor que aquilo nos pareça, a tal da curiosidade é incontrolável, Finalmente consegui enxergar o que ela fazia recortava papeis coloridos, não recortava bem, portanto não seria considerável em sua vida, ou seja, provavelmente não tinha importância, recortava por recortar, coração, estrelas, arvore passarinhos, sol, lua, etc.
Acredito que fosse alguma terapia, acredito, mas não afirmo com total certeza, entretanto o que me deixava impressionada era a felicidade que a garota ficava ao terminar de recortar alguma forma diferente, guardava tudo em uma latinha sempre com muito cuidado, e ainda pode se pensar que ela recortava e recortava porque não tinha nada para fazer, mas esta ainda não é uma certeza absoluta.
E a você o que lhe parece? O que você reflete sobre isso? Eu simplesmente penso talvez o que ela esteja fazendo não vá acrescentar nada a vida dela, porém a deixa feliz então a esta lhe seja uma coisa boa, mas e a mim? Que fiquei tanto tempo olhando e tentando desvendar o segredo do recorte de uma pessoa que não conheço, malmente vi o rosto, não sei o que faz da vida, e provavelmente nunca vou saber? E a você que leu todas essas linhas de suspense aflito e ansioso para descobrir qual era o trama desta crônica, e nem descobrimos pelo menos o porquê aquela menina recorta e recorta, e agora provavelmente deve estar ainda recortando, mas lembre-se o que nos importa, se isso a faz feliz.

Emanuelle Kaliny Rodrigues

A dois passos de vestir "o terno"

A dois passos de vestir "o terno"

As marcas da insegurança e a experiência não empolgam, somente o condenam ao esquecimento. Quando o talento se corrompe, a vitalidade não quer compromisso com ninguém e um adeus breve e palpável é o que sobrou ao artista das palavras. Logo as boemias junto as pernas das vedetes, deixam de ser matéria-prima de seus versos. Um poeta sem arruaças é mortal, inimizades e desafetos brevemente serão descartados, provavelmente agora que o rapaz vive o desprazer de estar no altar do seu casamento. Lá se vão as bailarinas engomadas, e os pierrôs silenciosos, que são os amigos das algazarras. Todos ficaram na lembrança e a galope voltam para os livros de fábulas.
Contos pitorescos, conversas pomposas, versos arrojados... O que mais falta ao medíocre e atarantado manipulador das belas frases? Falta-lhe o tal do sofrer sentimental, pois a impavidez de sua realidade somada ao naufrágio de sete noivados matou os bons modos e o que restou de sua inspiração! Contudo viver de retórica e balburdia parece pouco ao “puxador das barbas do profeta”.
O poeta é nada mais que um nada belo conquistador de moçoilas desesperadas e eufóricas. Entretanto é na solidão que este surrupia dos deuses algumas estrofes mirabólicas e escreve livros. Portanto a “batina conjugal” sem dúvida é o seu cruel destino.
Mas a vocação do boêmio é viver casamentos de outrem, mortes de reis beberrões e até chorar com as suas viúvas, consolando-as, e erguendo-lhes as saias até o amanhecer do dia. Ora, bem se sabe que as princesas abandonam a realeza e sempre acabam nos braços dos desalmados galanteadores, cópias maltrapilhas dos cantores italianos.
Porém voltando a cena inicial: o dia do casamento . Tinha-se um padre, a noiva atarantada, e uma decisão a ser tomada... Viver o sacramento e contentar as beatas ensandecidas? Ou simplesmente apaixonar-se pela vida entregar-se ao escárnio dos fofoqueiros? Eis a dúvida do já não tão jovem doidivanas.
Descrevendo a capela, crucialmente nota-se poucos convidados, alguns amigos ausentes, namoradas enfurecidas, e o lamento dentro da alma do boêmio. Creio que o homem dessa vez deve abandonar a cartola.
Depois de algumas horas, e um ar meio desconsertado, todos os olhares atentos, que sem mais interrupções agora finalmente o final da história. Muito preciso e ainda noivo, o poeta arruma a lapela, tenta disfarçar o ânimo, leva as mãos ao bolso, tira dele um pentinho fino, penteia as madeixas, enche-se de sobriedade, e não muito seguro de si... Lá se vai ele ladeira abaixo, corre, corre sorridente, abandonou o altar, a dois passos de vestir eternamente "o terno". Ah! Boêmia doce boêmia!


Emanuelle Kaliny Rodrigues

Andando nas nuvens

Andando nas nuvens

A sua respiração não me parece mais ofegante, sinto seu corpo tão longe daqui, os rumos da estrada mudaram, e as placas não orientam a próxima parada. No meu caminho enxergo o sobrenatural tão próximo, anjos descendo levando meus sentidos para um vale de águas limpidas inatingivel. Fui um ser humano fiel aos meus principios, mas quando o assunto é nós dois, a razão é tão monótona.
Eu poderia abraçar uma arvore, seguir alguma doutrina naturalista, vender brincos na calçada, ou comprar as roupas de marca da revista,poderia mudar o corte de cabelo, adotar uma franja, usar maquiagem pesada, alugar uma nova máscara,mas não posso! A plenitude me convem, estou desembarcando na cidade dos anjos.
Envie- me algum email, ou carta através da linha do horizonte, não sou tão imprevissivel, gosto de ser amada por hérois, porém meu mortal preferido é você, aliás é da sua mortalidade que eu preciso, isso me faz um pouco normal. Meu bem, sabe aqueles dias de murmuração inutil?, que os momentos bons parecem distantes, e que as lágrimas são persistentes? Hoje elas...., lutam pelo seu espaço e alagam o quarto de um solitário.
Você se irrita quando digo que é menino demais para o meu coração velho e fatigado. Entretanto compreende que não sabemos amar porque somos moralistas e tradicionais.Aproveitamos as tardes de domingo brigando, e na segunda alguem declara a a paz, Eu? não, você! Hoje já perdida na cidade dos anjos, tenho obrigações de ser alguém que você não quer ao seu lado.
Ao amanhecer não me encontrará , apaguei a luz do abajur para não atrapalhar o seu sono, admirei você por cinco minutos, sorri, lamentei e fui embora. Agora sigo meu caminho,caminhando nas nuvens, enquanto você dorme. Deixo tudo para trás, amor é um sentimento complicado demais para quem tem muito o que caminhar! É provavel que um dia nos encontremos, sinto que não seremos mais amigos, porque nunca fomos namorados.

EMANUELLE RODRIGUES

Hoje não mais!

Hoje não mais!

Meu amigo um dia eu fui vivo e esqueci as coisas da razão, apeguei-me ao brilho das estrelas que pereciam eternas, e descobri entre seus músculos e carniças, homens reais como eu. Nesse dia fui esfaqueado pela verdade. Bom tempo aquele em que ouvia nada mais que vozes mitológicas, estas arrepiavam os pêlos de meus braços, braços de jovem.
E hoje Ora vejam quanto força de trabalho! Que pulmões saudáveis e cheios de ar puro da cidade grande! Pulmões os quais adquiri depois de todos esses anos de bons tratos.
É bom lembrar que sou morto e não respiro com tanto ardor e ousadia. Abandonei o violão e comecei a estudar. A minha música anda tocando em outro ritmo, na freqüência do mercado de trabalho, na freqüência do dia claro.
Sou morto e perdi meus planos, sou morto e mal humorado, mas sou bom homem, entrego caridades no semáforo, e sinto-me até mais cidadão quando lanço a mãos de uma criança algumas moedas, fecho o vidro do carro, sento-me cheio de postura e tenho bons sonhos, sinto-me um Luther King.
Hoje estou cansado demais para sair, e completamente desleixado para amar, vou ler um bom livro e relaxar. A solidão faz bem a mestres e gênios obcecados a crescer e a vencer. Quanto à diversão? Isso é programa para pai de família!
Homens assistem às novelas e são felizes, os bons não assistem, pois vivem os melhores roteiros. Para alguém de pouca maturidade e palavras boas, digamos que vivo um presente linear, Vivo ou morro depende do ponto de vista. Não tenho amigos, conheço todos de vista, não me apego as caricias de mortais, eles morrem, matam, falham e me maltratam, muito pouco espero deles, quase nada, são como eu.
Um dia fui livre e famoso, famoso em algum canto de marte, de tanto olhar para os céus e acenar para os marcianos. Alcançava nos meus sonhos as estrelas, tinha sede por água limpa, e não me embriagava de refrigerante. Era alguém como você!
Sonhador, louco, infantil, vivente, compenetrado e apaixonado, hoje sou normal, me conformei em andar pelas ruas e ser somente humano.
Desisti de ser astronauta, desisti de pisar na lua, meus pés estão grudados demais no asfalto quente e pegajoso chamado rua, também chamado de mundo real. Independente da alegoria, entrarei desfilando pela porta, e não há ninguém no mundo que ouse me derrubar, pois sou artista, sou vocalista, sou escritor de auto-ajuda, e nas horas vagas eu... Eu não tenho horas vagas. Sou um homem de agendada lotada, tão lotada que não há espaço para viver, e quando durmo desmaio não tenho a ilusão de sonhar. Um dia Tive, hoje não mais!

Emanuelle Kaliny Rodrigues

Esculpido e sem metáforas

Esculpido e sem metáforas

Sete dias se foram, acabou- se o feliz despertar, poucos pássaros e algumas violetas translúcidas destacam-se no inverno por sua fúnebre e púrpura expressão, elas são como um código da desesperança eterna.
Uma jovem que já foi dona de sábios conselhos e boas palavras derrama lágrimas pelas calçadas da vida, lágrimas tão tímidas, previsíveis e encantadoras como o orvalho.
Hoje cambaleia em seus próprios versos, cai em penhascos tão lineares em busca mitos tão banais. É falta de coragem, conseqüência da falta de amor. Mas não de um amor comum e normal, e sim daquele memorável sentimento, todo errado sem restrições. Tem-se até aqui pouquíssimas lembranças, porém não deixa de ser real, de fato é um verdadeiro amor, inacabado e esculpido em uma semana.
Por onde seguiram os bons ventos? Eles traziam esperança e cânticos a uma realidade tão dura, tão árdua, a realidade de nós, a vida de nós dois. Planejamos ser adultos, reluzimos universo jovem, entretanto no peito carregamos um galardão de boas pessoas, ou de crianças bobas.
O instante de mudar não é outro, é tão rápido esse presente, que prefiro me esconder debaixo das cobertas. Perder você é compreensível, mas não aceitável!
As palavras parecem tortuosas, não me questione, abrace-me forte, pois essa será a ultima vez que sentirei sua respiração. Olhe a minha volta tenho tantos amigos e paixões, são aparências que envolvem pessoas ilustres e as afastam dos verdadeiros sentimentos.
Tantos olhos cintilantes me espiam, e de nada servem- me, se não tenho diante da menina dos meus olhos, a tua face de moleque. Por onde se perdeu o teu belo sorriso? Um sorriso rasgado, entre pálpebras entreabertas e aparência jovial.
Nunca poderei dizer uma só palavra tão iníqua quão sublime para qualquer outro ao meu redor,e se assim fizer, será mentira! Pois a minha ultima verdade privei a você.
Se por um dia lembrar-te da tua menina, sorria, pois a fez feliz! Se esta menina por ventura for eu. Digo que fui feliz por sete dias.
Tempo o qual, fui como um prefácio da canção, sem feridas, bem ritmada, dedicando a ti bons e belos versos, amando por amar, inconstante, mas sem riscos a temer, sorrindo por mim, sorrindo para ti.
Hoje choro, o sol que ilumina teu rosto, vem mostrando a essa menina tristonha a distancia, que a minha intolerância criou entre duas pessoas tão felizes e obstinadas a sonhar.
Pássaros? Não! Não ouço, nem os vejo, violetas discutem comigo, um sorriso rasgado de um menino travesso era o antídoto da melancolia da poetiza, que amou alguém por sete dias, os sete dias mais felizes da minha vida, vazia, aventureira e bandida.
Nosso amor era e é esculpido, tão único que não encontro metáforas, não tinha cor nem espécie muito menos cheiro de amor, mas infelizmente será eterno. E não posso te abraçar!

Emanuelle Kaliny Rodrigues

Dedicada a alguém especial