Estrofes com muita e tinta e pouco papel.
Lá vai o pássaro desorientado na tempestade, carregando sobre as assas algumas memórias, as prováveis páginas de mais algum romance utópico. A angústia do escritor está implícita em cada palavra jogada ao papel branco. Fogo, discórdia, independência, e os amigos malfeitores junto à costumeira instabilidade de espírito.
Chegou o dia, trazendo juízo às donzelas, e as dissimuladas doze horas que faltam, dignidade e inspiração ao profeta coxo. Eis sobre a mesa longa os resquícios de uma noite de bebedices. Vinho, lamparinas apagando-se, talheres, e algumas flores que deixam menos despida a simplória mesa de jantar.
Os olhos fotografam o que não estampa a capa dos jornais: noites compridas, casamentos acabados, e fenômenos para-normais. Olheiras, personagens de gaveta, sangue e mais sangue derramado no papel. Descriminações, perturbações, e senhoras e seus telefonemas evasivos, lançam aos ouvidos palavras com gosto de mel.
Suor, mãos tremulantes, espectros da madrugada atormentando a mente. São atentados adversos que não livram o poeta de gerar. Ao longo dos anos, as lágrimas não resistem, ao som do auditório, aclamando e boquiaberto diante das palavras consagradas.
Menos que cinco troféus, e meia dúzia de seguidores, é o resultado das frases inéditas. E sem mérito, os homens incorruptíveis desvalorizam os versos com suas estrofes que estampam os banheiros.
As rimas ultrajadas são cobiçadas somente pelos humanos pensantes, palavras seresteiras que hoje são hinos socialistas. Enquanto os romances utópicos são ininterruptos e narram ações pitorescas. E não somente por ora que estão dotadas de falsas manchetes abolicionistas.
Enfim este é o cotidiano literário! Que há séculos rende livros com páginas fabricadas de papel reciclável. Contudo o otimismo e a arte sentimentalista enaltece o arco-íris, e deixa o pote de ouro para os homens de discursos limitados, e de alma pouco melancólica.
Felizmente a prosa e o oculto unidos ao vocabulário indiscreto, e expressivo, conquistam sorrisos jovens, mas não rende alardes às matracas. O despertar poético é para poucos, tampouco a escrita não dura um instante é eterna, simbólica, simples, e jamais será inválida. Os verdadeiros escritores são aqueles, homens e mulheres acostumados a escrever com muita tinta e pouco papel!
EMANUELLE RODRIGUES
quarta-feira, 15 de agosto de 2007
Estrofes com muita e tinta e pouco papel.
Postado por Emanuelle Rodrigues às 09:49
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