Aposentado, contido e calado.
Todos os dias quando os vermes invadem as minhas narinas e corroem as minhas viceras, lembro dos tempos que as notas incendiavam uma guitarra velha e maltratada. Era bom ser jovem, era melhor ser vivo. Vivo ou morto, mas não precisávamos votar.
Hoje dançando sobre o fogo, saltitando pelas facas, tirando coelhos das cartolas e abandonando a ideologia libertária, não me sinto fraco, somente indigno de assinar o meu nome.
Casei tenho filhos, abortei o novo século, adotei os padrões burgueses e alienados, sou uma massa televisiva, sou um translúcido a ponto de morrer pelo emprego. Sem idéias, e com menos gritos, idolatrando um novo rock sem volume, me encontro jogando palavras e montando versos que não confrontam ninguém, somente conformam.
Conformismo inútil, apologia a mortos vivos, vocações e convocações a andarem despedidos. É despidos de sangue e juventude. Vivo hoje uma indecisão que amortece as canelas. Embora, hoje creio que estou em obras ou fui tombado pelo patrimônio público.
Com um fígado decepado, e cordas vocais interronpidas. Descrevo a você o futuro e a vida na taverna dos assombrados. Os ventos me trouxeram e me enterraram por conta própria, não choro, até agradeço os com fervor os meus assassinos. Antes condenado e morto do que aposentado, contido e calado.
EMANUELLE RODRIGUES
quarta-feira, 15 de agosto de 2007
Aposentado, contido e calado.
Postado por Emanuelle Rodrigues às 09:48
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