? ??????????????Glowing Love? ????? ?????? ???Rating: 5.0 (2 Ratings)??42 Grabs Today. 1429 Total Grabs. ?
?????Get the Code?? ?? ?????Spacey Love? ????? ?????? ???Rating: 5.0 (4 Ratings)??35 Grabs Today. 4077 Total Grabs. ??????Get the Code?? ?? ???????Blue Orb? ????? ?????? ???Rating: 4.4 (64 Rating CLICK HERE FOR BLOGGER TEMPLATES AND MYSPACE LAYOUTS ?

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

A dois passos de vestir "o terno"

A dois passos de vestir "o terno"

As marcas da insegurança e a experiência não empolgam, somente o condenam ao esquecimento. Quando o talento se corrompe, a vitalidade não quer compromisso com ninguém e um adeus breve e palpável é o que sobrou ao artista das palavras. Logo as boemias junto as pernas das vedetes, deixam de ser matéria-prima de seus versos. Um poeta sem arruaças é mortal, inimizades e desafetos brevemente serão descartados, provavelmente agora que o rapaz vive o desprazer de estar no altar do seu casamento. Lá se vão as bailarinas engomadas, e os pierrôs silenciosos, que são os amigos das algazarras. Todos ficaram na lembrança e a galope voltam para os livros de fábulas.
Contos pitorescos, conversas pomposas, versos arrojados... O que mais falta ao medíocre e atarantado manipulador das belas frases? Falta-lhe o tal do sofrer sentimental, pois a impavidez de sua realidade somada ao naufrágio de sete noivados matou os bons modos e o que restou de sua inspiração! Contudo viver de retórica e balburdia parece pouco ao “puxador das barbas do profeta”.
O poeta é nada mais que um nada belo conquistador de moçoilas desesperadas e eufóricas. Entretanto é na solidão que este surrupia dos deuses algumas estrofes mirabólicas e escreve livros. Portanto a “batina conjugal” sem dúvida é o seu cruel destino.
Mas a vocação do boêmio é viver casamentos de outrem, mortes de reis beberrões e até chorar com as suas viúvas, consolando-as, e erguendo-lhes as saias até o amanhecer do dia. Ora, bem se sabe que as princesas abandonam a realeza e sempre acabam nos braços dos desalmados galanteadores, cópias maltrapilhas dos cantores italianos.
Porém voltando a cena inicial: o dia do casamento . Tinha-se um padre, a noiva atarantada, e uma decisão a ser tomada... Viver o sacramento e contentar as beatas ensandecidas? Ou simplesmente apaixonar-se pela vida entregar-se ao escárnio dos fofoqueiros? Eis a dúvida do já não tão jovem doidivanas.
Descrevendo a capela, crucialmente nota-se poucos convidados, alguns amigos ausentes, namoradas enfurecidas, e o lamento dentro da alma do boêmio. Creio que o homem dessa vez deve abandonar a cartola.
Depois de algumas horas, e um ar meio desconsertado, todos os olhares atentos, que sem mais interrupções agora finalmente o final da história. Muito preciso e ainda noivo, o poeta arruma a lapela, tenta disfarçar o ânimo, leva as mãos ao bolso, tira dele um pentinho fino, penteia as madeixas, enche-se de sobriedade, e não muito seguro de si... Lá se vai ele ladeira abaixo, corre, corre sorridente, abandonou o altar, a dois passos de vestir eternamente "o terno". Ah! Boêmia doce boêmia!


Emanuelle Kaliny Rodrigues

0 comentários: