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quarta-feira, 15 de agosto de 2007

O cortejo das camponesas

O cortejo das camponesas

Lá se foram margaridas, bonitas, amarelas e solidárias, sorriam pra mim, sorriam para você, mas o vento do norte extrapolou os limites da violência, e suas pétalas foram perdendo a veracidade, maltratado a sua a harmonia, era manhã de terça- feira e ainda caiam desfalecidos os seus brotos, e após um desagradável fim de domingo secavam entorpecidas de fel suas raízes.
As Margaridas não passavam de um vaso, bonito e vistoso, estas traziam identidade ao jardim secreto localizado no quintal do vizinho, não conheço o seu nome, não vejo ao entardecer sua face, mas as suas margaridas eram a minha paisagem, paisagem de alguém que não aprendeu muito da vida, uma menina trancada em uma redoma de vidro, chamada ignorância ou distração.
Os quartos de adolescentes são como a sonífera ilha, localizadas em alguma parte do mundo, estão os filhos da liberdade oprimidos em sua própria rebeldia, eis os filhos da antena parabólica, meninos guerreiros cheios de fraternidade e censo igualitário, suas idéias são boas, mas são coisas de idade, pois aqui temos vagas somente para bolos já em forma e modelados a imagem e semelhança do dragão de três cabeças chamado sistema.
Nos outdoors enxergo frases cômicas de aristocratas inseguros: Não procurem em outras freqüências canções que não falem de amor, não procure em outras nações bandeiras com maior ardor, visto que hoje não tento envenenar o cachorro, pois a cerca elétrica do muro das lamentações está armada contra aqueles que tentam expor pensamentos, pensamentos que não passam de sicilianos e suas murmurações indignas de ser consideradas.
As pétalas das margaridas do meu vizinho eram o portal do paraíso, eram o êxtase dos oprimidos, colorindo a vista junto às asas do beija-flor que batem, batem incansavelmente, porém não com mais ousadia que o grito dos percevejos cantores, que sempre cantam a mesma canção e não se enjoam das próprias melancolias. A matraca do governo enfureceu o vaso, e foram podadas as margaridas até a raiz, as flores que traziam boas lembranças as donas de casa, trazem nojo e repudio ao proprietário do terreno.
Hoje à tarde senti chamas ao meu redor, as quais dançavam frevo no quintal do visinho, esmorecidas próximas ao portão encaminhavam –se milhares e milhares de borboletas lacrimejando, elas celebravam o funeral das margaridas. Pétala por pétala ia sendo torrada na fornalha do esquecimento, junto alguns livros, roupas, e discos de vinil.
Olhando atentamente vejo a imagem da criatura do visinho, parece embriagado, embriago em suas próprias nostalgias e passados recentes eufóricos demais para um pai de família, mas creio que quarta feira aquele jardim será arado, onde novas sementes serão lançadas no terreno, terreno o qual um dia moraram as mais belas, amarelas e solidárias margaridas camponesas.

Emanuelle Kaliny Rodrigues

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