Recortava, sorria, sorria e recortava
Sentada em uma cadeira de uma sala de espera da faculdade, contava os minutos, para chegar a casa, entretanto não sei se é alguma característica de poetas e poetizas, sempre onde estou procuro o inusitado, aquilo que nunca ninguém se preocupa em olhar, enfim estava eu lá solitária, pensando e filosofando, buscando causas e razões para algumas dúvidas que surgem em minha mente. De repente olhei em um espelho desta mesma sala, nele estava refletindo a imagem de um prédio, rapidamente busquei uma janela, avistei logo a qual estava acesa a luz de um cômodo.
Observei uma menina sentada em uma cadeira recortando algo, primeiramente pensei ser gravuras de alguma revista para algum trabalho escolar, depois entendi que poderia ser fotos de algum ex namorado que a magoou talvez alguma amiga que traiu a sua confiança e ela estava picando em mil pedaços, depois refletindo melhor olhando por um outro ângulo claramente pensei ter achado a resposta, poderia ser ofertas de emprego de algum jornal de classificados, ou até quem sabe sua própria foto na coluna social, mas o tempo passava e eu não conseguia decifrar o que se passava pela mente daquela menina que recortava e recortava.
Já tinha fuçado sua casa inteira, é claro sempre olhando, na sala tinha um sofá cor areia, a televisão parecia estar ligada, a cortina estava entreaberta, ela parecia estar sozinha, ou esperasse alguém, quem sabe morasse sozinha, quem sabe não morasse sozinha, mas fosse só, consegue compreender? Na parede tinha um pequeno quadrinho, estava muito longe não conseguia ver qual era o desenho pintado, porém notei que ao seu lado havia um abajur com a luz já fraquejando, a menina recortava e sorria , sorria e recortava.
Como qualquer um em minha situação morrendo de curiosidade, mesmo sendo algo tão insignificante e de pouca relevância na vida de alguém tão atarefada como eu, ainda sim estava curiosa, mas são tantos os fatos que nos abordam no dia-dia, pois é tão complicado lidar e entender o porquê as pessoas fazem certas coisas, mas queremos sempre saber a causa, por menor que aquilo nos pareça, a tal da curiosidade é incontrolável, Finalmente consegui enxergar o que ela fazia recortava papeis coloridos, não recortava bem, portanto não seria considerável em sua vida, ou seja, provavelmente não tinha importância, recortava por recortar, coração, estrelas, arvore passarinhos, sol, lua, etc.
Acredito que fosse alguma terapia, acredito, mas não afirmo com total certeza, entretanto o que me deixava impressionada era a felicidade que a garota ficava ao terminar de recortar alguma forma diferente, guardava tudo em uma latinha sempre com muito cuidado, e ainda pode se pensar que ela recortava e recortava porque não tinha nada para fazer, mas esta ainda não é uma certeza absoluta.
E a você o que lhe parece? O que você reflete sobre isso? Eu simplesmente penso talvez o que ela esteja fazendo não vá acrescentar nada a vida dela, porém a deixa feliz então a esta lhe seja uma coisa boa, mas e a mim? Que fiquei tanto tempo olhando e tentando desvendar o segredo do recorte de uma pessoa que não conheço, malmente vi o rosto, não sei o que faz da vida, e provavelmente nunca vou saber? E a você que leu todas essas linhas de suspense aflito e ansioso para descobrir qual era o trama desta crônica, e nem descobrimos pelo menos o porquê aquela menina recorta e recorta, e agora provavelmente deve estar ainda recortando, mas lembre-se o que nos importa, se isso a faz feliz.
Emanuelle Kaliny Rodrigues
quarta-feira, 15 de agosto de 2007
Recortava, sorria, sorria e recortava
Postado por Emanuelle Rodrigues às 09:45
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