O rugido do rei destronado
O salto quebrado do sapato exterminou os limites da ousadia, vivemos mais um dia sem pagar a conta de luz, sorrimos para a foto, pois a autopromoção é como morfina quando se está de despedida, tudo contradiz o pensamento “ego centrista”, a selva é um bom lugar para os leões, rugem a todo instante, a moda, a mídia, os músculos, lhe fazem um destaque por 15 minutos, mais que isso seria insanidade.
Leões têm pompa e agilidade, classe, nobreza, boa retórica, são figuras cheio de purpurina e autoridade, estraçalham as hienas alimentando sua fome de segurança e veneração, mas as criaturas risonhas que lhe fazem “bem” o aprisionam numa vitrine por um grande tempo, calando por instantes seu rugido, pois de boca cheia o leão saboreia a carne de sua presa entre sua língua veloz e seus dentes pontiagudos, respira o rei da selva distraído, disperso e vulnerável.
A blasfêmia é calada, a injúria aniquilada e os princípios hierárquicos e leis que regem esta selva são claros, tão eficientes e objetivos ressurgindo das cinzas nas asas de um bem - ti-vi, que viu, mas não enxergou, que sabe e não argumenta, é o mensageiro sem voz, o medo, a inocência, sendo a raiz podre de toda instituição, bem vindo à terra da conivência.
No trono o Leão é visto de todas as partes da floresta, mas o trono não vê toda a selva, a sua altura inalcançável o impede de enxergar as formigas carregadeiras, as aranhas e suas teias, as corujas camufladas entre as arvores, as víboras e suas artimanhas. O rugido do leão é tremulo a cada instante, pois há medo no coração do gigante ameaçado, a luz do sol está escurecendo, os sapatos sem salto não trazem distinção entre os demais carnívoros. Ruge e ruge sem parar, pobre leonino, medo do esquecimento? Não simplesmente lamento de um ser sedento por flashes, que já não é mais noticia.
O sangue de hiena é o prato do dia e agora rindo por ultimo esta aquela que riu demais, a dona da gargalhada está dando entrevista em todos os canais, enquanto o leão está sendo vendido pelos andarilhos fabricantes de artesanato em qualquer esquina da vida, junto aos seus dentes já não mais pontiagudos, gastou suas presas e promoveu a sua caça. Toda noite ao entardecer escuto o rugido do rei destronado.
Emanuelle Kaliny Rodrigues- Jornalismo
quarta-feira, 15 de agosto de 2007
O rugido do rei destronado
Postado por Emanuelle Rodrigues às 09:40
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