Falta de UTI no Hospital da Criança
O insistente gemido na alvorada anuncia as trevas ao amanhecer. O caos urbano está armado. É Menos um dia de glória aos ipês amarelos, que adoçam a estação da penúria nas filas da saúde pública.
Desfilando pelos corredores a fora, um homem clama a misericórdia de outros iguais a ele, que não podem fazer nada. É inválido o meu e o seu pesar, pois nunca sabemos chorar como pais. Vivemos na incerteza, como filhos pródigos de Deus.
Sendo Lucas, ou João, a tolerância é a mesma, e as repostas são tão negativas quão redundantes.
As sepulturas estão ali abertas, e parecem tão sedutoras! Somos todos anulados, pela falta de palavras, vendo o coma de antes, ser herdado pelos nossos filhos. Mas o que nos dizem quando faltam as UTIS? Há os que digam que elas logo chegarão. Ainda que eu não acredite, sigo a vida, o que me resta é navegar.
É árduo ser homem nessas horas! Homem para votar! Homem para ouvir, e ser obrigado a concordar que desconheço os meus direitos. Trabalho para viver, e sobrevivo sem pensar como deveria ser.
Abandonado á ausência de recurso está um pai. Pai o qual repudia a própria sorte. Sorte que não deu a ele um bom plano de saúde. O que são dezessete horas de desespero? Visto que até mesmo os bancos são escravos da escassez do tempo.
Compadecimento, abraços e condolências, talvez façam alguém sentir-se melhor. Entretanto, caridade e ausência de ações não ressuscitam novamente lázaro. O comodismo só ajuda enterrar mais algum Douglas.
Ainda me dizem que é cedo para voltar atrás, insistem em dizer-me que devo esperar e olhar com mais atenção a minha volta.
Certamente verei mais coroas e menos flores. Ou será que verei menos pirâmides, e não sentirei mais essas dores? Eternas dores de parto por ter gerado filhos, que vão depender da saúde pública.
Emanuelle Rodrigues
quarta-feira, 29 de agosto de 2007
A agonia da maioria
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domingo, 19 de agosto de 2007
" A vida é um eterno acrescentar diário de inimigos!"
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sexta-feira, 17 de agosto de 2007
Parábolas do Cotidiano
Parábolas do Cotidiano
Franzindo as sobrancelhas e de cara enfezada, o garoto não aceitou a amigável crítica. Frederico abaixou a cabeça, mordeu a língua, e não deixou sua voz aveludada a serviço de parábolas do cotidiano.
Ressentido pelo desabafo alheio, e deslumbrado pelos holofotes iluminando as maçãs da face, cortou relações com a família, mudou a maneira de ser, agora é estigmatizado pela falta de caráter.
O Brasil relaxa a sombra do comodismo, e goza o prazer de descansar em paz ao som das balas perdidas. Os idealistas e porta-vozes das massas são como Frederico, que descansa ansiando a chegada da aposentadoria.
Sentindo os arrepios das turbulências aéreas e econômicas, e temendo o deslanchar da carruagem chamada Senado, o brasileiro vive a sambar as marchinhas de gado, as marchinhas musicais populares.
O rádio toca esses louvores para prestigiar as gravadoras, e escutando vozes terceirizadas e conhecidas, Frederico deixa de ser da Silva, agora é Fred da Mídia.
Emergindo no sonho neoliberal, Implantou-se a vassalagem, vendeu-se oratória em troca de fama, contudo a preço de banana emprestou-se a boa retórica as agências de publicidade.
As galinhas filósofas não botam ovo de ouro, entretanto ensinam o minerador a pintar as bijuterias de tinta dourada. Na era dos meninos cara - de –bolachas, as charges deixam de serem manifestações opinativas, e rendem horas e horas de entretenimento e piadas.
Tolerância, consciência, e rapidez enaltecem os diários pagos e escondem atrás do português formal, o escracho da comunicação instantânea fundamentada em releases.
Frederico não compreende certas coisas, apesar de experiente, fora criado no submundo que a Wide Word Web, é simplesmente WWW. e ponto final, sem acréscimo, tampouco contestações.
Emanuelle Kaliny Rodrigues
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quinta-feira, 16 de agosto de 2007
Santos políticos de muita fé
Santos políticos de muita fé
Diálogos populistas que vivem a burlar a ética e não se fazem presentes em certos mandatos. Promessas vãs, que oferecem terrenos no paraíso junto aos anjos. É o engano secular, chamado política. Política que entoja os ouvidos de eleitores, os quais não podem contestar ações, pois a estes falta o “VERBO”.
O desapertar na madrugada aos gemidos prossegue nas filas inacabáveis, da saúde, e deve persistir enquanto os santos, os santos homens de gravata, portarem-se de maneira irrepreensível somente no auge de suas campanhas.
A crença por melhorias e esperanças no Estado, já caiu no descaso público. Enquanto a teologia libertadora de alguns governantes coloca nas mãos a arma, e incentiva a revolta civil. A geração incompetente alienada pelos meios de comunicação, chamada juventude está descrente na força do voto, e começa a crescer em números, sendo oprimida pela falta de garganta.
Os homens de gravata ganham o senado, os homens de gravata estão no poder. A supremacia conservadora é a elite, a elite acredita ser professora de Deus.
Desprovidos de autenticidade alguns políticos usufruem das carências urbanas para auto-promover-se, outros nem esperam o dia 2 de janeiro para arrancar a fantasia do zorro.
O fiasco do poder é aquele que a mídia acredita ter sobre alguma instituições estatais ou privadas. Os canais são porta vozes publicitários, e as noticias não informam, apenas recortam cenários.
A luta das classes, para que esses homens públicos cumpram esses deveres é insignificante, são pautas para as páginas policiais. Os rostos pintados e caras descontentes são titulados por hereges descendentes de Iscariotes, que não acreditam no Governo dos “santos”, santos políticos de muita fé.
Emanuelle Kaliny Rodrigues
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quarta-feira, 15 de agosto de 2007
Ser Político X Ser humano
Ser Político X Ser humano
Às vezes a tarefa de ser humano e político é tão complexa como estar aqui, inevitavelmente já sentindo saudade de um ontem o futuro do hoje, já tremendo os joelhos e sentindo arrepios de medo do breve amanhã. Como o raríssimo sentimento de culpa, que nos afeta quando erramos. Pois é fatal o poder da falha, tanto no coração do homem maduro; quanto do aplausível eleitor. Extirpa a honra de ambos e também sua conduta, E acabam digladiando-se todas as manhãs, noites e madrugadas, Remoendo essa daninha erva que é o erro de não saber governar e tampouco votar.
Na alma do envelhecido desiludido governante, não existe nenhum resquício de malandragem, pois se esqueceu como é ter espírito de liderança, E deixa de tê-lo nas horas mais oportunas. Regredindo mais ainda aos olhos da sociedade, que é severa, mas deixaria de ser nublada, Se enxergada sem a venda.
O que torna impotente os valores do líder da massa são os “desvalores” pregados por essa corrompedora doutrina, do instinto político que confundiria até a cabeça de um “bolchevique”, E nesta temível hora “apertem os cintos”, pois a economia previsivelmente sofrerá uma pesada turbulência.
Entretanto cabe ao líder do proletariado encurtar seus bonitos discursos e não ser breve ao segurar os grandes alicerces da sociedade, que são a ética do homem de bem e a esperança do povo. Entretanto aos maus frutos desta videira que não sejam jogadas cordas para salvá-los deste naufrago, pois estes devem afundar-se em seu próprio maremoto.
Emanuelle Kaliny Rodrigues
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Confissão de Fraqueza
Confissão de Fraqueza
Seus olhos me atraem e não sei o porquê, nem o calor me afasta da vontade de te abraçar constantemente, malmente acordei e não consigo deixar de me embriagar de tanto entusiasmo para enxergar alguém de carne e osso. Um entusiasmo que mortifica as minhas ações, e deixa lento o meu solitário e introspectivo cotidiano.
O estar é mais agradável que o sonhar, e o sonhar é fútil ao lado do saber! Tão sóbrio e característico, tão meu, e tão ausente, quando estou próxima de encontrar o que eu não quero enfrentar, um sentimento verdadeiro, indecifrável e inconseqüente chamado amor.
Esse amor de maneira meiga, porém tão sagaz, me conquista e deixa um combatente fora de área por alguns breves minutos, horas ou até anos, pobre beata, pobre poeta, ambos estão a beira de um latrocínio, estão a beira de um ataque de risos, de um contentamento superficial, estão pronto para cruzar olhares, eles vão se apaixonar! Provavelmente para ritmar a trama de uma narrativa de alguém que tão pouco pode relatar. Confesso a mim é desconhecido e tal de amor, que ilustra tantos contos, e desvirtua tantos desalmados, e os ensina a duras penas a regarem as narcíseas.
Emanuelle Rodrigues
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Garotas tão mulheres, mulheres tão garotas
Garotas tão mulheres, mulheres tão garotas
Garotinha alguém te magoou?
Seus olhos hoje não estão brilhando.
Sua voz parece cansada,
E vejo uma gotinha de lágrima
Rolando em seu rosto.
Não importa o que lhe fizeram
Minha criança,
Aperte forte a minha mão
E não leve em consideração seus carrascos,
Somente sorria para a lua,
Pois meu coração fica sem rumo
Ao te ver chorar.
Garotinha corra para as montanhas,
Esqueça por um momento
Do que lhe atormenta,
Seus amigos irão lhe ajudar,
Mesmo que sejam poucos
O tempo às vezes é insano,
Mas deixe-o passar e tudo se ajeitará.
Garotinha coloque um vestido novo
E passe um batom suave em seus lábios,
Vou te levar ao parque,
E vamos comprar algumas flores,
Plantá-las-emos próximas as janelas
De sua casa, para te alegrar!
Garotinha é como se me
Lançassem uma fecha no peito
Ao ver suas pequenas mãos tremulando a cada instante.
Garotinha as pessoas não te compreendem
Mas sempre de uma triste historia
Surge uma bela canção, a qual o coração conforte-se.
E os meus dias que eram doces,
Meus sonhos que eram muitos,
Acabam ficando de lado quando te vejo
Soluçar ao luar.
Garotinha há meninas que conseguem
Ser felizes com pouco,
Mas você não é menina para
Qualquer homem magoar,
Eu sei que por trás desta face calma de criança,
Há um grande mal de amor.
Garotinha não deixe que roubem seu tempo
Pois agora tu és criança,
Coloque um vestido, e corra para as montanhas
Com seus óculos de sol
Garotinha.
Emanuelle Kaliny Rodrigues
Postado por Emanuelle Rodrigues às 09:51 1 comentários
Estrofes com muita e tinta e pouco papel.
Estrofes com muita e tinta e pouco papel.
Lá vai o pássaro desorientado na tempestade, carregando sobre as assas algumas memórias, as prováveis páginas de mais algum romance utópico. A angústia do escritor está implícita em cada palavra jogada ao papel branco. Fogo, discórdia, independência, e os amigos malfeitores junto à costumeira instabilidade de espírito.
Chegou o dia, trazendo juízo às donzelas, e as dissimuladas doze horas que faltam, dignidade e inspiração ao profeta coxo. Eis sobre a mesa longa os resquícios de uma noite de bebedices. Vinho, lamparinas apagando-se, talheres, e algumas flores que deixam menos despida a simplória mesa de jantar.
Os olhos fotografam o que não estampa a capa dos jornais: noites compridas, casamentos acabados, e fenômenos para-normais. Olheiras, personagens de gaveta, sangue e mais sangue derramado no papel. Descriminações, perturbações, e senhoras e seus telefonemas evasivos, lançam aos ouvidos palavras com gosto de mel.
Suor, mãos tremulantes, espectros da madrugada atormentando a mente. São atentados adversos que não livram o poeta de gerar. Ao longo dos anos, as lágrimas não resistem, ao som do auditório, aclamando e boquiaberto diante das palavras consagradas.
Menos que cinco troféus, e meia dúzia de seguidores, é o resultado das frases inéditas. E sem mérito, os homens incorruptíveis desvalorizam os versos com suas estrofes que estampam os banheiros.
As rimas ultrajadas são cobiçadas somente pelos humanos pensantes, palavras seresteiras que hoje são hinos socialistas. Enquanto os romances utópicos são ininterruptos e narram ações pitorescas. E não somente por ora que estão dotadas de falsas manchetes abolicionistas.
Enfim este é o cotidiano literário! Que há séculos rende livros com páginas fabricadas de papel reciclável. Contudo o otimismo e a arte sentimentalista enaltece o arco-íris, e deixa o pote de ouro para os homens de discursos limitados, e de alma pouco melancólica.
Felizmente a prosa e o oculto unidos ao vocabulário indiscreto, e expressivo, conquistam sorrisos jovens, mas não rende alardes às matracas. O despertar poético é para poucos, tampouco a escrita não dura um instante é eterna, simbólica, simples, e jamais será inválida. Os verdadeiros escritores são aqueles, homens e mulheres acostumados a escrever com muita tinta e pouco papel!
EMANUELLE RODRIGUES
Postado por Emanuelle Rodrigues às 09:49 0 comentários
As Corujas e seus disfarces, contendas e facetas
As Corujas e seus disfarces, contendas e facetas
Salteadoras e amargas são as corujas enigmáticas que cercam o colecionador de ossos. Sentam ao seu lado, sorriem, disfarçam, mas estão maquiladas de incertezas e são redimidas pela sua ignorância.
Conheci um grande homem, de muitas posses, que colecionava ossos, e olhares desafiadores. Estava a serviço do saber absoluto. Contudo a tolerância, não o livrou de participar de uma tortura amigável e mortífera.
A que ponto a necessidade do aprendizado, era tão real quanto aquela convivência desregrada e infértil? Vê-se uma águia, forjando ser abutre para recuperar as moedas de prata. Comanda a guerra e é insubmissa, ainda que não morra pela espada.
Apaguem as cópias, o colecionador de ossos é a peste do momento! E não há quem o supere. Inclusive as penosas e pitorescas que por ora embriagam-se de vinho, e não regam as videiras. Pobres, mulheres endividadas, que serão banquete de eloqüentes morcegos sedentos de sangue.
Entretanto, do outro lado da ponte, o despertar da guerra matutina aliada a um brilho veloz e autentico, a águia enfurece os estelionatários das palavras. Surpreende e em tom infame e arrojado faz balé e lindos versos que confundem os gênios descriminados.
As coisas vãs são a mentira, o vício e o apego a pessoas desumanas. Acabam com a intimidade entre amigos e trazem o temido anonimato. Mas os furos nos olhos não trazem a remissão das injurias, somente afastam o medo do pecado.
Tapeando o cansaço diário o espetáculo da águia doutrina até o colecionador de ossos. Decepcionados os murmuradores lançam sobre si maldições e condenam-se ao eterno anonimato.
As corujas são incrédulas e escondem-se na noite, são o restolho da floresta e jaz esquecidas ao crepúsculo. Enquanto as águias rasgam as nuvens, sobrevoam os montes e são símbolos de onipotência.
Portanto, ainda que faltem ossos ao homem, ouro ao salteador, e contendas ao fofoqueiro. As guilhotinas permanecem à espera das corujas e seus disfarces, contendas e facetas
Emanuelle Kaliny Rodrigues
Postado por Emanuelle Rodrigues às 09:49 0 comentários
Sucesso, cifrões e lições de vida.
Sucesso, cifrões e lições de vida.
Albert teria todos os motivos para ser humano, era ultrajado e sabia ser imprevisível. Fazia amizades, e conquistava seus desafetos rapidamente. O mal dos homens inquietos é a franqueza inevitável.
Maltrapilho por dentro, arrojado por fora, essa característica fez um sabichão e inconseqüente, conquistar o mérito de genro perfeito para as madrastas, aquelas que repudiam até mesmo os seus filhotes prematuros.
Desmamado e falido sentimentalmente, Albert se fez grande. Pois sabia diante de quem e quando prostrar-se. Logo, não tinha talentos múltiplos, nem olhos biônicos, tampouco apetitosos ombros largos. Conquistou o mundo, somente com o seu olhar preciso.
A dez minutos do ataque alienígena, lá vai o Albert ganhar as forças opostas. Cinco palavras, aperto de mão, e talão de cheque, enfim a santa paz, agora são todos bons amigos.
Sigilo, ambigüidade, palavras túrgidas em letras garrafais. O rosto do mais ilustre magnata está estampando na capa dos jornais. Os bons e velhos tempos da grande babilônia.
Quem não luta não ganha! Quem não maltrata, apanha! Quem não é Albert é escravo dos sonhos de outrem, dos filhos de outrem e passa a vida inteira, contemplando o sucesso dos inquietos e maltrapilhos.
Emanuelle Kaliny Rodrigues
Postado por Emanuelle Rodrigues às 09:48 0 comentários
Aposentado, contido e calado.
Aposentado, contido e calado.
Todos os dias quando os vermes invadem as minhas narinas e corroem as minhas viceras, lembro dos tempos que as notas incendiavam uma guitarra velha e maltratada. Era bom ser jovem, era melhor ser vivo. Vivo ou morto, mas não precisávamos votar.
Hoje dançando sobre o fogo, saltitando pelas facas, tirando coelhos das cartolas e abandonando a ideologia libertária, não me sinto fraco, somente indigno de assinar o meu nome.
Casei tenho filhos, abortei o novo século, adotei os padrões burgueses e alienados, sou uma massa televisiva, sou um translúcido a ponto de morrer pelo emprego. Sem idéias, e com menos gritos, idolatrando um novo rock sem volume, me encontro jogando palavras e montando versos que não confrontam ninguém, somente conformam.
Conformismo inútil, apologia a mortos vivos, vocações e convocações a andarem despedidos. É despidos de sangue e juventude. Vivo hoje uma indecisão que amortece as canelas. Embora, hoje creio que estou em obras ou fui tombado pelo patrimônio público.
Com um fígado decepado, e cordas vocais interronpidas. Descrevo a você o futuro e a vida na taverna dos assombrados. Os ventos me trouxeram e me enterraram por conta própria, não choro, até agradeço os com fervor os meus assassinos. Antes condenado e morto do que aposentado, contido e calado.
EMANUELLE RODRIGUES
Postado por Emanuelle Rodrigues às 09:48 0 comentários
Os homens do topo do mundo
Os homens do topo do mundo
Ser jornalista não é pedir emprego é compartilhar sonhos, pois é a única profissão do mercado de trabalho que permite ao profissional ou mesmo estudante de comunicação social tornar-se um “expert” acima de tudo na arte da “ pincelada”, ou seja, manter relações mais profundas ou não com assuntos ligados e interligados a sua realidade profissional, social ou doméstica. Ser jornalista é dissertar antes de respirar, é discutir sobre teorias, ideologias, linhas de pensamentos de todos os grupos dentro da sociedade, sem temer a ousadia de concordar com elas ou não, pois nem sempre o jornalista tem conhecimentos aprofundados sobre o assunto a ser debatido.
Entretanto o comunicador social acaba se tornando um bom analisador de hipóteses e fatos, não somente pelo vasto campo que estende sua profissão, mas também pelo apanhado de informação que acaba recebendo diariamente, não que ele exerça poder algum sobre a informação, mas este pode interpretá-la a sua maneira, segundo o seu ponto de vista, mesmo que lhe pareça objetivo, antes de fato de ser jornalista o individuo com boa desenvoltura ao se portar em público torna-se melhor que os outros “mortais” porque leva jeito com as palavras.
Porém ainda que pessoa comum que cria suas teorias como qualquer outra pessoa, “cheio de eu acho, eu penso” pelo fato de estar ou achar que está “acima do bem e do mal” por ter acesso a informação, acaba levando as demais pessoas a pensarem como ele, e seus receptores acabam sendo manipuladas pela expressividade e firmeza argumentativa características da maioria dos jornalistas.
Alguns estudantes de jornalismo chegam a "viajar" quando se deparam que estão diante de uma realidade que é permitida para poucos e que seus pensamentos que ora já foram considerados utopia, agora são levados em consideração, assim fazendo o individuo sentir se um pouco” dono da lei”, tudo isso é perfeitamente normal, tampouco porque a verdade do jornalista verdade ou não, é “Verdade” é indiscutível, é o ponto final, porque correta, ou não, clara ou oculta é a única que outrem tem acesso.
A melhor profissão do mundo é viver de mente aberta, disfarçando alguns defeitos, remendando alguns furos e viver com a face maquiada, em um meio onde as caras e bocas estão interligadas, pois aqui se interpretam realidades denunciáveis que não irão denunciar-se, ou seja, ter em mente ou mãos o saber tão precioso que muitos não compreenderiam e nem irão ter oportunidade de compreender. Habilitado ou não, réu é juiz, a mídia dá poder ao jornalista, o status o alimenta e a sua ideologia faz parte da entrevista. Ser um ser pensante é ser jornalista, viver subindo é o crescer no jornalismo, é nunca interromper o aprendizado, é estar ao topo do mundo, sempre procurando um pico mais alto.
Emanuelle Kaliny Rodrigues- Jornalismo
Postado por Emanuelle Rodrigues às 09:46 0 comentários
Recortava, sorria, sorria e recortava
Recortava, sorria, sorria e recortava
Sentada em uma cadeira de uma sala de espera da faculdade, contava os minutos, para chegar a casa, entretanto não sei se é alguma característica de poetas e poetizas, sempre onde estou procuro o inusitado, aquilo que nunca ninguém se preocupa em olhar, enfim estava eu lá solitária, pensando e filosofando, buscando causas e razões para algumas dúvidas que surgem em minha mente. De repente olhei em um espelho desta mesma sala, nele estava refletindo a imagem de um prédio, rapidamente busquei uma janela, avistei logo a qual estava acesa a luz de um cômodo.
Observei uma menina sentada em uma cadeira recortando algo, primeiramente pensei ser gravuras de alguma revista para algum trabalho escolar, depois entendi que poderia ser fotos de algum ex namorado que a magoou talvez alguma amiga que traiu a sua confiança e ela estava picando em mil pedaços, depois refletindo melhor olhando por um outro ângulo claramente pensei ter achado a resposta, poderia ser ofertas de emprego de algum jornal de classificados, ou até quem sabe sua própria foto na coluna social, mas o tempo passava e eu não conseguia decifrar o que se passava pela mente daquela menina que recortava e recortava.
Já tinha fuçado sua casa inteira, é claro sempre olhando, na sala tinha um sofá cor areia, a televisão parecia estar ligada, a cortina estava entreaberta, ela parecia estar sozinha, ou esperasse alguém, quem sabe morasse sozinha, quem sabe não morasse sozinha, mas fosse só, consegue compreender? Na parede tinha um pequeno quadrinho, estava muito longe não conseguia ver qual era o desenho pintado, porém notei que ao seu lado havia um abajur com a luz já fraquejando, a menina recortava e sorria , sorria e recortava.
Como qualquer um em minha situação morrendo de curiosidade, mesmo sendo algo tão insignificante e de pouca relevância na vida de alguém tão atarefada como eu, ainda sim estava curiosa, mas são tantos os fatos que nos abordam no dia-dia, pois é tão complicado lidar e entender o porquê as pessoas fazem certas coisas, mas queremos sempre saber a causa, por menor que aquilo nos pareça, a tal da curiosidade é incontrolável, Finalmente consegui enxergar o que ela fazia recortava papeis coloridos, não recortava bem, portanto não seria considerável em sua vida, ou seja, provavelmente não tinha importância, recortava por recortar, coração, estrelas, arvore passarinhos, sol, lua, etc.
Acredito que fosse alguma terapia, acredito, mas não afirmo com total certeza, entretanto o que me deixava impressionada era a felicidade que a garota ficava ao terminar de recortar alguma forma diferente, guardava tudo em uma latinha sempre com muito cuidado, e ainda pode se pensar que ela recortava e recortava porque não tinha nada para fazer, mas esta ainda não é uma certeza absoluta.
E a você o que lhe parece? O que você reflete sobre isso? Eu simplesmente penso talvez o que ela esteja fazendo não vá acrescentar nada a vida dela, porém a deixa feliz então a esta lhe seja uma coisa boa, mas e a mim? Que fiquei tanto tempo olhando e tentando desvendar o segredo do recorte de uma pessoa que não conheço, malmente vi o rosto, não sei o que faz da vida, e provavelmente nunca vou saber? E a você que leu todas essas linhas de suspense aflito e ansioso para descobrir qual era o trama desta crônica, e nem descobrimos pelo menos o porquê aquela menina recorta e recorta, e agora provavelmente deve estar ainda recortando, mas lembre-se o que nos importa, se isso a faz feliz.
Emanuelle Kaliny Rodrigues
Postado por Emanuelle Rodrigues às 09:45 0 comentários
A dois passos de vestir "o terno"
A dois passos de vestir "o terno"
As marcas da insegurança e a experiência não empolgam, somente o condenam ao esquecimento. Quando o talento se corrompe, a vitalidade não quer compromisso com ninguém e um adeus breve e palpável é o que sobrou ao artista das palavras. Logo as boemias junto as pernas das vedetes, deixam de ser matéria-prima de seus versos. Um poeta sem arruaças é mortal, inimizades e desafetos brevemente serão descartados, provavelmente agora que o rapaz vive o desprazer de estar no altar do seu casamento. Lá se vão as bailarinas engomadas, e os pierrôs silenciosos, que são os amigos das algazarras. Todos ficaram na lembrança e a galope voltam para os livros de fábulas.
Contos pitorescos, conversas pomposas, versos arrojados... O que mais falta ao medíocre e atarantado manipulador das belas frases? Falta-lhe o tal do sofrer sentimental, pois a impavidez de sua realidade somada ao naufrágio de sete noivados matou os bons modos e o que restou de sua inspiração! Contudo viver de retórica e balburdia parece pouco ao “puxador das barbas do profeta”.
O poeta é nada mais que um nada belo conquistador de moçoilas desesperadas e eufóricas. Entretanto é na solidão que este surrupia dos deuses algumas estrofes mirabólicas e escreve livros. Portanto a “batina conjugal” sem dúvida é o seu cruel destino.
Mas a vocação do boêmio é viver casamentos de outrem, mortes de reis beberrões e até chorar com as suas viúvas, consolando-as, e erguendo-lhes as saias até o amanhecer do dia. Ora, bem se sabe que as princesas abandonam a realeza e sempre acabam nos braços dos desalmados galanteadores, cópias maltrapilhas dos cantores italianos.
Porém voltando a cena inicial: o dia do casamento . Tinha-se um padre, a noiva atarantada, e uma decisão a ser tomada... Viver o sacramento e contentar as beatas ensandecidas? Ou simplesmente apaixonar-se pela vida entregar-se ao escárnio dos fofoqueiros? Eis a dúvida do já não tão jovem doidivanas.
Descrevendo a capela, crucialmente nota-se poucos convidados, alguns amigos ausentes, namoradas enfurecidas, e o lamento dentro da alma do boêmio. Creio que o homem dessa vez deve abandonar a cartola.
Depois de algumas horas, e um ar meio desconsertado, todos os olhares atentos, que sem mais interrupções agora finalmente o final da história. Muito preciso e ainda noivo, o poeta arruma a lapela, tenta disfarçar o ânimo, leva as mãos ao bolso, tira dele um pentinho fino, penteia as madeixas, enche-se de sobriedade, e não muito seguro de si... Lá se vai ele ladeira abaixo, corre, corre sorridente, abandonou o altar, a dois passos de vestir eternamente "o terno". Ah! Boêmia doce boêmia!
Emanuelle Kaliny Rodrigues
Postado por Emanuelle Rodrigues às 09:44 0 comentários
Andando nas nuvens
Andando nas nuvens
A sua respiração não me parece mais ofegante, sinto seu corpo tão longe daqui, os rumos da estrada mudaram, e as placas não orientam a próxima parada. No meu caminho enxergo o sobrenatural tão próximo, anjos descendo levando meus sentidos para um vale de águas limpidas inatingivel. Fui um ser humano fiel aos meus principios, mas quando o assunto é nós dois, a razão é tão monótona.
Eu poderia abraçar uma arvore, seguir alguma doutrina naturalista, vender brincos na calçada, ou comprar as roupas de marca da revista,poderia mudar o corte de cabelo, adotar uma franja, usar maquiagem pesada, alugar uma nova máscara,mas não posso! A plenitude me convem, estou desembarcando na cidade dos anjos.
Envie- me algum email, ou carta através da linha do horizonte, não sou tão imprevissivel, gosto de ser amada por hérois, porém meu mortal preferido é você, aliás é da sua mortalidade que eu preciso, isso me faz um pouco normal. Meu bem, sabe aqueles dias de murmuração inutil?, que os momentos bons parecem distantes, e que as lágrimas são persistentes? Hoje elas...., lutam pelo seu espaço e alagam o quarto de um solitário.
Você se irrita quando digo que é menino demais para o meu coração velho e fatigado. Entretanto compreende que não sabemos amar porque somos moralistas e tradicionais.Aproveitamos as tardes de domingo brigando, e na segunda alguem declara a a paz, Eu? não, você! Hoje já perdida na cidade dos anjos, tenho obrigações de ser alguém que você não quer ao seu lado.
Ao amanhecer não me encontrará , apaguei a luz do abajur para não atrapalhar o seu sono, admirei você por cinco minutos, sorri, lamentei e fui embora. Agora sigo meu caminho,caminhando nas nuvens, enquanto você dorme. Deixo tudo para trás, amor é um sentimento complicado demais para quem tem muito o que caminhar! É provavel que um dia nos encontremos, sinto que não seremos mais amigos, porque nunca fomos namorados.
EMANUELLE RODRIGUES
Postado por Emanuelle Rodrigues às 09:44 0 comentários
Hoje não mais!
Hoje não mais!
Meu amigo um dia eu fui vivo e esqueci as coisas da razão, apeguei-me ao brilho das estrelas que pereciam eternas, e descobri entre seus músculos e carniças, homens reais como eu. Nesse dia fui esfaqueado pela verdade. Bom tempo aquele em que ouvia nada mais que vozes mitológicas, estas arrepiavam os pêlos de meus braços, braços de jovem.
E hoje Ora vejam quanto força de trabalho! Que pulmões saudáveis e cheios de ar puro da cidade grande! Pulmões os quais adquiri depois de todos esses anos de bons tratos.
É bom lembrar que sou morto e não respiro com tanto ardor e ousadia. Abandonei o violão e comecei a estudar. A minha música anda tocando em outro ritmo, na freqüência do mercado de trabalho, na freqüência do dia claro.
Sou morto e perdi meus planos, sou morto e mal humorado, mas sou bom homem, entrego caridades no semáforo, e sinto-me até mais cidadão quando lanço a mãos de uma criança algumas moedas, fecho o vidro do carro, sento-me cheio de postura e tenho bons sonhos, sinto-me um Luther King.
Hoje estou cansado demais para sair, e completamente desleixado para amar, vou ler um bom livro e relaxar. A solidão faz bem a mestres e gênios obcecados a crescer e a vencer. Quanto à diversão? Isso é programa para pai de família!
Homens assistem às novelas e são felizes, os bons não assistem, pois vivem os melhores roteiros. Para alguém de pouca maturidade e palavras boas, digamos que vivo um presente linear, Vivo ou morro depende do ponto de vista. Não tenho amigos, conheço todos de vista, não me apego as caricias de mortais, eles morrem, matam, falham e me maltratam, muito pouco espero deles, quase nada, são como eu.
Um dia fui livre e famoso, famoso em algum canto de marte, de tanto olhar para os céus e acenar para os marcianos. Alcançava nos meus sonhos as estrelas, tinha sede por água limpa, e não me embriagava de refrigerante. Era alguém como você!
Sonhador, louco, infantil, vivente, compenetrado e apaixonado, hoje sou normal, me conformei em andar pelas ruas e ser somente humano.
Desisti de ser astronauta, desisti de pisar na lua, meus pés estão grudados demais no asfalto quente e pegajoso chamado rua, também chamado de mundo real. Independente da alegoria, entrarei desfilando pela porta, e não há ninguém no mundo que ouse me derrubar, pois sou artista, sou vocalista, sou escritor de auto-ajuda, e nas horas vagas eu... Eu não tenho horas vagas. Sou um homem de agendada lotada, tão lotada que não há espaço para viver, e quando durmo desmaio não tenho a ilusão de sonhar. Um dia Tive, hoje não mais!
Emanuelle Kaliny Rodrigues
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Esculpido e sem metáforas
Esculpido e sem metáforas
Sete dias se foram, acabou- se o feliz despertar, poucos pássaros e algumas violetas translúcidas destacam-se no inverno por sua fúnebre e púrpura expressão, elas são como um código da desesperança eterna.
Uma jovem que já foi dona de sábios conselhos e boas palavras derrama lágrimas pelas calçadas da vida, lágrimas tão tímidas, previsíveis e encantadoras como o orvalho.
Hoje cambaleia em seus próprios versos, cai em penhascos tão lineares em busca mitos tão banais. É falta de coragem, conseqüência da falta de amor. Mas não de um amor comum e normal, e sim daquele memorável sentimento, todo errado sem restrições. Tem-se até aqui pouquíssimas lembranças, porém não deixa de ser real, de fato é um verdadeiro amor, inacabado e esculpido em uma semana.
Por onde seguiram os bons ventos? Eles traziam esperança e cânticos a uma realidade tão dura, tão árdua, a realidade de nós, a vida de nós dois. Planejamos ser adultos, reluzimos universo jovem, entretanto no peito carregamos um galardão de boas pessoas, ou de crianças bobas.
O instante de mudar não é outro, é tão rápido esse presente, que prefiro me esconder debaixo das cobertas. Perder você é compreensível, mas não aceitável!
As palavras parecem tortuosas, não me questione, abrace-me forte, pois essa será a ultima vez que sentirei sua respiração. Olhe a minha volta tenho tantos amigos e paixões, são aparências que envolvem pessoas ilustres e as afastam dos verdadeiros sentimentos.
Tantos olhos cintilantes me espiam, e de nada servem- me, se não tenho diante da menina dos meus olhos, a tua face de moleque. Por onde se perdeu o teu belo sorriso? Um sorriso rasgado, entre pálpebras entreabertas e aparência jovial.
Nunca poderei dizer uma só palavra tão iníqua quão sublime para qualquer outro ao meu redor,e se assim fizer, será mentira! Pois a minha ultima verdade privei a você.
Se por um dia lembrar-te da tua menina, sorria, pois a fez feliz! Se esta menina por ventura for eu. Digo que fui feliz por sete dias.
Tempo o qual, fui como um prefácio da canção, sem feridas, bem ritmada, dedicando a ti bons e belos versos, amando por amar, inconstante, mas sem riscos a temer, sorrindo por mim, sorrindo para ti.
Hoje choro, o sol que ilumina teu rosto, vem mostrando a essa menina tristonha a distancia, que a minha intolerância criou entre duas pessoas tão felizes e obstinadas a sonhar.
Pássaros? Não! Não ouço, nem os vejo, violetas discutem comigo, um sorriso rasgado de um menino travesso era o antídoto da melancolia da poetiza, que amou alguém por sete dias, os sete dias mais felizes da minha vida, vazia, aventureira e bandida.
Nosso amor era e é esculpido, tão único que não encontro metáforas, não tinha cor nem espécie muito menos cheiro de amor, mas infelizmente será eterno. E não posso te abraçar!
Emanuelle Kaliny Rodrigues
Dedicada a alguém especial
Postado por Emanuelle Rodrigues às 09:43 0 comentários
Memórias de uma Quarta feira
Memórias de uma Quarta feira
Em um final da tarde de minha banal realidade de poetisa, sento sobre um formigueiro disfarçado, chamado de poltrona. Meus joelhos tremem incansáveis, pois tamanho é o desespero da menina sozinha a espera da forca, já sendo condenada por alguns olhares perturbadores, meros chacais inseguros pela minha presença.
Ando sorrindo para o tempo, pelo vento e enganando você, como toda estrategista, sempre armada de um argumento jogando-me nas as paredes, para fingir aos lobos que estou morta e enterrada.
Passo bons momentos de minhas horas curtas, nessa requintada câmara de gás chamada sala de aula, cuja anda um tanto recatada pela ausência de humildade, pecados de homens e mulheres mascarados. Olhos que me dinstraem, vejo aqui uma platéia sanguinária, cujo codinome seria concorrência? Ou o clássico e tão necessário coleguismo social. Abordei com entusiasmo, inicialmente a minha maleta de lembranças e inspiração chamada realidade.
Em um primeiro momento sugeri um tema emotivo, agora a duras penas e mordidas nos lábios, tento relembrar as características de uma jovem chamada Maria, ela que está ansiosa para tomar água, ou sumir dessa triste realidade e maçante atividade sugerida ou denominada de crônica, o discurso mais detalhado dos sentimentos, tão chamado de poesia esticada.
Minhas mãos suam, pois a intenção do poeta é deixar transparecer em simples palavras o verdadeiro personagem. Mas aqui não cabe criticas e elogios, o que direi de alguém de doces olhares e enigmáticos suspiros? Essa figura feminina ora melancólica, ora anarquista, de voz clara e insubmissão ativa, a quão me dou a ousadia de colocar como amiga. O Que direi eu?
Não falaria do seu franjão estressado caindo sobre seu cabelo alinhado e negro, porém o dever está longe, e o que farei agora é relatar do mais notório dos seus mitos, os amores de Maria.. A jovem tem certa intolerancia para os contos romanticos, pois os amores de maria são sentimentos relacionados ao apego fraternal , zelo e carinho ilimitado por um certo alguém. Este é nada mais que um ser de expressão meiga e de natureza alternativa, barba por fazer, lábios secos e goma de mascar querendo demonstrar ousadia.
Mas nesta aterrorizante tarde o que resta é pedir a clemência dos meus superiores, a misericórdia dos chacais debochados, abandonar a guerra das palavras, e deixar de lado hoje, mas só por hoje a descrição da Maria, minha inspiração de cinto quadriculado de rebites e invulnerável alegria.
Emanuelle Kaliny Rodrigues
Postado por Emanuelle Rodrigues às 09:43 0 comentários
Lições de um ambidestro
Lições de um ambidestro
Isolado e competente, nada mais resta que ser o Ambrósio, o chamado dedo do meio. A clareza da separação, o torna mais derrotado que os companheiros de labuta, pois em meio a uma imparidade absoluta de dedos, não se tem pares suficientes para dançar a valsa, quem vai esperar a próxima música? De fato será o dedo do meio, na verdade desde que se conhece por ser existente, ele espera a próxima canção.
Enquanto o fura-bolo vai corroendo toda cobertura de chocolate sozinho, e o polegar cumprimenta os amigos, Ambrosio fica quieto, por mais esse momento, ausente e auto-suficiente vai construindo uma estrada solitária, arcando prejuízos devido a sua hostil postura, e sua ilimitada conta bancária, assim vive o Ambrosio, o alicerce da mão, pulando de lá para cá, semeando ventos aqui e fugindo de tempestades do lado de lá, vai mantendo-se firme em seu pedestal inalcançável.
Não é fácil ser semideus em um mundo habitado por humanos, aqui na Terra paga-se preços exorbitantes por ser o meio, ainda que algumas míseras horas de descanso e compreensão alheia são quase inexistentes, muito natural já que o ilustre dedo abandonou os velhos amigos. Porém o coleguismo é uma relação mais provincial, e menos perigosa para alguém que tem um número exorbitante de homicídios de moscas para esconder.
O dedo do meio já se acostumou a morar no muro, não é recomendável descer de lá tão cedo, pois as crises aqui no mundo real são muito banais para invocar a ajuda do grande Hercules, afinal os problemas dos demais membros do corpo, não são problemas, são síndromes de existência, loucura passageira.
Ambrósio não vai ao cinema, a este parece ser uma ação inútil pagar mais que algumas moedas para sentir cheiro de pipoca. Seguindo seu rumo andando pela calcada, não o vejo saltitar, não vejo correr, só avisto um moribundo que acabou de aprender a andar. Lá vai o Dedão um Pierrô que idolatra a própria garganta, não é solteiro, mas não é casado, 50% promiscuo, 50% casto, ora fervoroso ora incrédulo, não é pastor, porém não tem ousadia de morar no cemitério, nem pobre, nem rico, o dedo do meio é sossegado. Um marinheiro com instinto pirata cujas memórias não passam de histórias bobas, narradas com um vocabulário rebuscado.
Ambrósio é aquele sujeito que não se veste mal, mas não anda emperiquitado, tudo é uma questão de razão e bom censo, falhas e erros dos outros dedos são fatos inadmissíveis aqui no monte Olimpo, porque a obra de arte em destaque é o dedo do meio, ou seria o capacho? O pagador de promessas, o pé de valsa que nunca dança, ou seria ele o adulto que já nasceu grande e nunca foi criança, nem adolescente, tampouco revolucionário, foi sempre centrista, é um soldado de Führer que vendeu a alma em Stalin- grado.
Emanuelle Kaliny Rodrigues
Postado por Emanuelle Rodrigues às 09:42 0 comentários
O cortejo das camponesas
O cortejo das camponesas
Lá se foram margaridas, bonitas, amarelas e solidárias, sorriam pra mim, sorriam para você, mas o vento do norte extrapolou os limites da violência, e suas pétalas foram perdendo a veracidade, maltratado a sua a harmonia, era manhã de terça- feira e ainda caiam desfalecidos os seus brotos, e após um desagradável fim de domingo secavam entorpecidas de fel suas raízes.
As Margaridas não passavam de um vaso, bonito e vistoso, estas traziam identidade ao jardim secreto localizado no quintal do vizinho, não conheço o seu nome, não vejo ao entardecer sua face, mas as suas margaridas eram a minha paisagem, paisagem de alguém que não aprendeu muito da vida, uma menina trancada em uma redoma de vidro, chamada ignorância ou distração.
Os quartos de adolescentes são como a sonífera ilha, localizadas em alguma parte do mundo, estão os filhos da liberdade oprimidos em sua própria rebeldia, eis os filhos da antena parabólica, meninos guerreiros cheios de fraternidade e censo igualitário, suas idéias são boas, mas são coisas de idade, pois aqui temos vagas somente para bolos já em forma e modelados a imagem e semelhança do dragão de três cabeças chamado sistema.
Nos outdoors enxergo frases cômicas de aristocratas inseguros: Não procurem em outras freqüências canções que não falem de amor, não procure em outras nações bandeiras com maior ardor, visto que hoje não tento envenenar o cachorro, pois a cerca elétrica do muro das lamentações está armada contra aqueles que tentam expor pensamentos, pensamentos que não passam de sicilianos e suas murmurações indignas de ser consideradas.
As pétalas das margaridas do meu vizinho eram o portal do paraíso, eram o êxtase dos oprimidos, colorindo a vista junto às asas do beija-flor que batem, batem incansavelmente, porém não com mais ousadia que o grito dos percevejos cantores, que sempre cantam a mesma canção e não se enjoam das próprias melancolias. A matraca do governo enfureceu o vaso, e foram podadas as margaridas até a raiz, as flores que traziam boas lembranças as donas de casa, trazem nojo e repudio ao proprietário do terreno.
Hoje à tarde senti chamas ao meu redor, as quais dançavam frevo no quintal do visinho, esmorecidas próximas ao portão encaminhavam –se milhares e milhares de borboletas lacrimejando, elas celebravam o funeral das margaridas. Pétala por pétala ia sendo torrada na fornalha do esquecimento, junto alguns livros, roupas, e discos de vinil.
Olhando atentamente vejo a imagem da criatura do visinho, parece embriagado, embriago em suas próprias nostalgias e passados recentes eufóricos demais para um pai de família, mas creio que quarta feira aquele jardim será arado, onde novas sementes serão lançadas no terreno, terreno o qual um dia moraram as mais belas, amarelas e solidárias margaridas camponesas.
Emanuelle Kaliny Rodrigues
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Medo
Medo
Sentir, estar e vivenciar novos temores, é nada mais que estar apavorado pela chegada do poente, que são as cortinas de horrores misturadas às pitadas de brilho que fazem do medo um sentimento, por ora considerado inútil, o mais indispensável dos pudores do ser humano.
Por que se sente medo? Vício, o medo é o vício mais presente em todos os cotidianos, cruéis, famintos ou requintados. Desde o ventre da mãe, seja ela desregrada, ou cuidadosa, o feto ao sair daquela cobertura maternal tão confortável, está apto para uma vida a sós com seus problemas, o estar sozinho é o primeiro medo, agora ele é individuo, a invulnerabilidade uterina, agora é passado.
Medo do escuro, medo do abajur de palhaço, medo do sonho bonito, medo do pesadelo real, medo do molhar os lençóis com urina, medo da perda de peso, medo da anorexia da alma, medo da monotonia, medo da instabilidade, medo das primeiras perdas desde os dentes até o a coloração dos cabelos, medo do parecer fútil, medo do ser utópico, medo do ser humano quando a realidade só leva a amar com a razão, medo do claro, medo do vago, medo do novo namorado, medo do insano marido, medo do aristocrata, medo da paisagem, medo do retrato, medo? Sempre presente medo, sua ausência entorpeceria de tédio a vida.
Temer é o instante, temer é o respirar, temer é o sentar em um banco de praça para refletir, o chamado analisar. Analisar o feito mal feito, ou o feito que ainda vai ser realizado, temer é coisa vã, mas não é coisa má, temer pode ser ruim aos olhos do impulsivo, mas é o equilíbrio de um sábio e discreto individuo, o que faz dele um cidadão sem razões tão claras quanto à existência de um código penal. Tem-se medo dos grilhões eternos vindos do pecado original de adão, porém mais medo de uma liberdade tão imposta pela urna eleitoral, pois a liberdade é cruel demais com aqueles que não têm consciência do que ela pode causar ao que não tem o que temer.
O medo é como a sinalização regular de transito a exemplo do: Não estacione, cuidado com a lombada, curva acentuada, pare! Pois a vida é frenética demais ao homem comum, por mais limitadas sejam as suas viradas e inconstâncias, sempre os obstáculo edificam uma nova barreira a ser ultrapassada, engatinhado, ou correndo desesperadamente, é para isso que serve o medo para colocar arreio e freios na invulnerabilidade e individualismo tão comum nos seres humanos.
Humanos os quais estão tão envaidecidos e obstinados pela vontade de crescer que acabam sendo lançados nas paredes e muros do fracasso, pois estão embriagados demais de autoconfiança e não enxergam a sinalização regular imposta pela moral e pelos bons costumes, porém o medo de errar novamente faz o individuo acender a luz e resolver o problema às claras. Medo é o mais útil dos pudores, pois é o que está mais próximo do consciente e do racional.
Emanuelle Kaliny Rodrigues
Postado por Emanuelle Rodrigues às 09:42 0 comentários
Quem olha no espelho aluga um apartamento
Quem olha no espelho aluga um apartamento
Desencontrado e lutando pela sobrevivência sempre caminhando em ritmo de apaixonado por novas freqüências, com três chicletes no bolso mal de ex- fumante inseguro e vulnerável. Sinto um alívio hoje, porém amanhã ao sair por aquela porta o que será? Já antecipo aqui dentro do peito a agonia do apuro, escurece a vista escurece tudo. Todo homem normal sentir-se-ia lisonjeado de tornar-se independente liberto do vício, os milhões de segundo que me enfureci com você, são tolos ao lado do maldito cigarro; mas porque eu sinto medo? Porque não sou um homem, sou um cara maneiro.
Escondemos verdades amargas para desabafar mentiras boçais, somos todos humanos de palavras bonitas que apenas redigimos boas histórias, coisas de profetas normais. Hoje penteio o cabelo antes de levar minha menina ao Rock’n Roll, ela vem e o bagunça de novo e pede para ir ao pagode, para não envergonhar suas amigas. No domingo fui maltrapilho no jantar de família, veja só meu caro leitor, agora perdi a minha personal style, felizmente sexta-feira as meninas sempre mudam de idéia, enquanto no telefone consolo um amigo desesperado que noivou ontem, mas já é casado.
Qual é o plano da mulher bonita para prender homens inteligentes e soberbos? Analisando a questão hoje vejo que a sua verdade é confundir as idéias do sujeito masculino com muitas palavras verdadeiras, para nunca dizer que aprendeu controlá-lo através dos testes e dicas de revista. A minha menina não me ama, ela me domina.
Homens de vida longa no auge dos seus 20 e poucos anos, já viveram o suficiente, mesmo ainda faltando dois anos se torna bom já ter os 30, os puritanos querem apagar seu passado esquerdista e ensinar seus filhos, lições de pai, lições de vida, como: não ser comunista, não grafitar os muros, serem bons em matemática e que os homens bons sempre casam, mas nunca com Guevarianas, pois são as boas meninas são as Joanas e Marianas que vão à missa aos domingos e podem oferecer-lhe amor eterno.
Vou ensinar a Lauriano Neto, o que meu velho pai também me ensinou sobre sentimentos, falava sempre que as mulheres com piercing e tatuagem são namoradas até os 15 anos, que a geralmente um homem sempre ama, ótimas pessoas, não tão gentis, porém muito simpáticas, mas nada mais que lembranças.
Acreditei que era cedo para pensar nisso, mas hoje depois do meio dia ainda de pijama, abri a porta da geladeira e me deparei com comidas congeladas, isto é inadmissível, chamei minha mãe e a expliquei que mães cozinham bem, ou pelo menos essa seria a teoria, de repente por algum motivo indefinido minhas malas foram parar na rua, não sou o Cazuza, mas agora minha menina só me resta ligar a cobrar na sua casa, porque: “Eu tô perdido, sem pai nem mãe bem na porta da tua casa...”. Vamos assumir nossos erros, olhar no espelho e alugar um apartamento, indo logo à próxima etapa da vida, o santo sacramento, porque eu já parei de fuma e não tenho mais grana para sair.
Emanuelle Kaliny Rodrigues
Em dedicatória a um amigo especial....
Ideologia- Cazuza
" Meu partido, É um coração partido. E as ilusões estão todas perdidas, Os meus sonhos foram todos vendidos Tão barato que eu nem acreditoAh, eu nem acredito, Que aquele garoto que ia mudar o mundo..... (Mudar o mundo), Frequenta agora as festas do "Grand Monde"....Meus heróis morreram de overdose, Meus inimigos estão no poder, Ideologia, Eu quero uma pra viver. Ideologia.... Eu quero uma pra viver(...) O meu prazer Agora é risco de vida, Meu sex and drugs não tem nenhum rock 'n' roll.... Eu vou pagar a conta do analista, Pra nunca mais ter que saber quem eu sou. Pois aquele garoto que ia mudar o mundo... (Mudar o mundo) Agora assiste a tudo em cima do muro......"
Postado por Emanuelle Rodrigues às 09:41 0 comentários
O calar eterno e inevitável
O calar eterno e inevitável
As vozes dentro da fotografia calam-se no domingo, batem em retirada para o descanso tão merecido, correm em direção ao túnel mais próximo ao pote de ouro que a menina levada, danada e oculta escondeu embaixo do arco- íris. Quanto aos homens, estes reencontram seu velho caráter, as inconsoláveis mulheres procuram os diários de páginas amarelas da infância. Humano ou animal, chorando ou comemorando o trem vai partir com profunda pressa, e sei que essa é a maior das intolerâncias.
Sorrateiramente o dardo da tristeza invade o espírito do boêmio, enquanto a tranqüilidade não deixa a face de uma criança. Enquanto há vida existem as murmurações, apologias e incompreensões, visto que é difícil não saber nada, tampouco é impossível saber tudo, o mudo relataria coisas que o palestrante não disse quando o cego enxerga coisas que só a escuridão da venda podem apimentar e tornar obra de arte.
Já sentados no vagão do isolamento estão os poetas e loucos, desconfiados, matutando inconformados pelo inesperado abandono maternal, atormentados pela incompreensão alheia, atormentados pelas vozes das fotografias, porém vivificados pela esquizofrenia mundana. Poetas e loucos são os bezerros desmamados, são as dores de cabeça das salas de aula, as ovelhas maltrapilhas do rebanho, os filhos bastardos das mães desalmadas.
O Visionário não come grama, porque não sabe pastar cujo verde é pouco para alguém tão acostumado a enxergar o multicolorido. Bato no peito o orgulho, por não ser insignificante, hoje sou herói, amanhã anarquista, porém confiante que não sou nada além de um bárbaro letrado sendo oprimido pelo desconforto de ser diferente. Dói ver o poeta ser chicoteado pela própria visão, creio que a ausência dos óculos escuros torna-se o seu ponto fraco, os raios solares maltratam os olhos, raios os quais são crudelíssimos porque trazem dor e realidade.
Voando pelos trilhos lá vai o trem, que percorre pelo túnel da desesperança, trem o qual anda tão veloz, sinto até meus passos pequenos pelo corredor junto a uma ventania abaixo das minhas costelas. Porém o momento que trouxe sabor a viagem, foi quando algumas mulheres de aluguel se ofertam ao palhaço o porta voz do sorriso e embaixador do sarcasmo, aumentando a balbúrdia das catequistas, catequéticas e catequizadas, em suas casas eram cheias do pudor e de caridade, agora transbordam violência em seus olhares mitológicos, ainda que a fraternidade sempre acompanhasse as senhoras abnegação, estas hoje estão como mutantes a ponto de ataque, são capazes de amedontrar os comunistas que assavam como suíno no Natal os recém nascidos Americanos.
Sendo o homem letrado, analfabeto ou escultor, se tem o mesmo número de linhas para ser descrito, delimitado em seu epitáfio, afinal justiça é justiça, tardia e falha, porém muito bem maquiada. Os epitáfios enfeitarão durante eternidades diversos tipos de jazigos enquanto as coroas apodrecem, virando lixo e adubo, observo que as palavras marcadas na pedra são as únicas ilustres ali durante os séculos e séculos, estavam, estão e estarão expostas nas esquinas, paredes e terrenos baldios na cidade dos pés juntos.
Apitando chegou o trem na linha final, os passageiros descem assoberbados, desembarcam de mãos abanando, pois o maquinista tem pressa, mais fotos precisam perder a voz, a intenção não é macabra, é apenas povoar a Terra dos pés juntos. Pois para silenciar as ideologias eufóricas é preciso enterrar sonhos e pensamentos.
Emanuelle Kaliny Rodrigues
Postado por Emanuelle Rodrigues às 09:41 0 comentários
A Frieza do Divã
A Frieza do Divã
Neste divã sinto a presença de todas as cores da cidade, e um lugar escuro é o clímax para o relato das insanidades, rostos que não me vêm, pensamentos, línguas e temores, que não crêem na minha existência. Vejo que alguém tem um medo maior, então apago a luz, pois a minha insônia é banal. Meus mitos heróis e gnomos dançam valsa na janela das casas de outros filhos, dormem e dormem, estão flutuando em sonhos irrealizáveis ou suando frio dentro de seus pesadelos. As bestas-feras da noite amedrontam minhas bonecas, que carregam o peso do seu pecado, o preço do sorriso eterno, o amor mais maquiado, entre milhares de faces odiosas das ruas que cercam meu apartamento.
Pinga e pinga torneira semi- aberta, as fadas chegaram com o meu dinheiro, só não arranco os outros dentes porque gosto de sorrir para o meu espelho, que sempre está calado, nunca me responde, nem me dá consolo, apenas relata a face de um pedaço de carne em eterna decomposição, também chamado de corpo humano.
Não apague a luz, a rua me amedronta, apedrejem a coruja que não silencia o bico e atormenta a vida do bêbado que tenta cochilar ali na praça. Ano que vem seremos pessoas melhores, juramentos que se limitam a parecer reais somente em passagem de ano. O dia em que estive triste dei uma volta na quadra, o dia em que estive feliz não sai da sala de aula. Ocupações, preocupações, tudo que alimenta o Divã, e faz sua ausência um terror absoluto.
O homem atrás daquela mesa não me olha nos olhos, isso me faz triste. Vejo que tudo o que traz amargo língua é relativo a perdas frustrações e planos inacabados. Sinto vontade de correr na chuva, talvez sentar em um banco de praça molhado, como se pudesse resgatar em uma tarde os anos que passarão diante dos meus olhos e viver ignorando os anos que passarão diante dos que me olham e tentam me rotular, sou um ponto neutro junto a uma teoria incompleta, eu ainda posso viver, espero o galo cantar e vou viver . Respiro, logo vivo!
Mas o dono do divã não me olha, eu choro e rio, tropeço nas palavras, ameaço mudar a expressão, ele não mexe as mãos, sinto mais sozinho que em minha própria amargura, sinto-me isolado da sanidade do homem de carne e osso, mas aquela sensação de dever cumprido, ou talvez um vazio na carteira pois pago para confessar minhas falhas e concluo que não sei resolver nada com ajuda da frieza do divã porque não quero resolver nada. A incompreensão me faz poeta!
Emanuelle Kaliny Rodrigues
Postado por Emanuelle Rodrigues às 09:40 0 comentários
O rugido do rei destronado
O rugido do rei destronado
O salto quebrado do sapato exterminou os limites da ousadia, vivemos mais um dia sem pagar a conta de luz, sorrimos para a foto, pois a autopromoção é como morfina quando se está de despedida, tudo contradiz o pensamento “ego centrista”, a selva é um bom lugar para os leões, rugem a todo instante, a moda, a mídia, os músculos, lhe fazem um destaque por 15 minutos, mais que isso seria insanidade.
Leões têm pompa e agilidade, classe, nobreza, boa retórica, são figuras cheio de purpurina e autoridade, estraçalham as hienas alimentando sua fome de segurança e veneração, mas as criaturas risonhas que lhe fazem “bem” o aprisionam numa vitrine por um grande tempo, calando por instantes seu rugido, pois de boca cheia o leão saboreia a carne de sua presa entre sua língua veloz e seus dentes pontiagudos, respira o rei da selva distraído, disperso e vulnerável.
A blasfêmia é calada, a injúria aniquilada e os princípios hierárquicos e leis que regem esta selva são claros, tão eficientes e objetivos ressurgindo das cinzas nas asas de um bem - ti-vi, que viu, mas não enxergou, que sabe e não argumenta, é o mensageiro sem voz, o medo, a inocência, sendo a raiz podre de toda instituição, bem vindo à terra da conivência.
No trono o Leão é visto de todas as partes da floresta, mas o trono não vê toda a selva, a sua altura inalcançável o impede de enxergar as formigas carregadeiras, as aranhas e suas teias, as corujas camufladas entre as arvores, as víboras e suas artimanhas. O rugido do leão é tremulo a cada instante, pois há medo no coração do gigante ameaçado, a luz do sol está escurecendo, os sapatos sem salto não trazem distinção entre os demais carnívoros. Ruge e ruge sem parar, pobre leonino, medo do esquecimento? Não simplesmente lamento de um ser sedento por flashes, que já não é mais noticia.
O sangue de hiena é o prato do dia e agora rindo por ultimo esta aquela que riu demais, a dona da gargalhada está dando entrevista em todos os canais, enquanto o leão está sendo vendido pelos andarilhos fabricantes de artesanato em qualquer esquina da vida, junto aos seus dentes já não mais pontiagudos, gastou suas presas e promoveu a sua caça. Toda noite ao entardecer escuto o rugido do rei destronado.
Emanuelle Kaliny Rodrigues- Jornalismo
Postado por Emanuelle Rodrigues às 09:40 0 comentários
O amargo desabrochar da Tarântula
O amargo desabrochar da Tarântula
Durante o tempo em que estava em uma livraria observando algumas obras literárias, lendo alguns prólogos de renomados autores e seus Best Sellers, entre os mais vendidos, minha atenção prendeu-se em um livro em particular, O amargo desabrochar da Tarântula. Livro o qual não me era estranha a história, porém não podia descrevê-lo com detalhes, pois o pouco que conhecia da sua trama já tinha mudado totalmente meus conceitos de literatura no país, e quem seria eu, nada mais que alguém com um estilo mais crítico de pensar para afirmar ou contestar algo tão colossal como está obra literária.
Entre diversas linhas de pensamentos dos escritores brasileiros, alguns até um tanto loucos tão cheios de soberba que parecem que escrever para si mesmos, fidelíssimos a sua ideologia até que a morte lhes faça mudar de idéia, levante a mão alguém que nunca encontrou em um Standard mimoso, dentro de alguma livraria ou até mesmo em banca de revista a Maior das sandices de Rosa Vermelhinha, ou a mais ilustre das apologias de uma bonequinha de luxo, que esperava seu príncipe encantado, porém um dia se deu conta que tinha dormido demais e sua vida tinha passado; seus sonhos não eram mais coloridos, suas razões crenças e idéias nunca tinham de fato existido e que hoje além de uma bela carinha tinha uma bela história de alguém que foi: “ Ninguém na vida”, assim nasceu: O amargo desabrochar da Tarântula.
Levando em consideração que esta jovem escritora com diversos nomes de batalha é um ótimo exemplo para uma geração de Meninas adolescentes que idolatram a Luxuria e a Fama. Rosa vermelhinha com seu caráter exemplar vai acabar as convertendo dos seus maus caminhos incentivando-as a lutar pelos seus ideais, e o resultado será o sucesso no mercado de “trabalho”, por sinal um grande mercado visto que moramos no Brasil, o grande “Cabaré da Europa”.
Rosa relata em sua obra trechos de sua “cruel” infância de classe média, a qual passou muitos anos pesquisando e vivendo a dura e fria realidade de alguém sem ocupação, porém passada a Idade das Trevas deixou de ser medíocre e escreveu seu próprio Best Seller, de visionária passou a heroína, agora ninguém segura a Vermelhinha, logo ela entrará para Academia Brasileira de Letras, afinal até o amigo dos duendes, bruxos, magos e gnomos foi parar lá, por que a Rosa Vermelhinha não entraria?
Como o exemplo da agora escritora encontramos muitos mitos por ai, todos não são mais que um sorriso alucinado em busca de um abraço implorando aplausos em cortejos fúnebres, pessoas as quais ainda não se deram conta que seu sofrimento é característico do que planejam para si, ou nunca planejaram, a realidade brasileira é essa, mitificar Homens e Mulheres que são as fagulhas fosforescentes, sem conteúdo e sem fundamentos óbvios.
Os ilustres chefões da Máfia Feudal Brasileira não são os bons músicos, os poetas, os idealistas ou sindicalistas, na verdade os suseranos são aqueles que impedem o meu filho e o teu de ter acesso diário a algo que o faça refletir em sua realidade, são aqueles que constroem patamares gigantescos para deuses medíocres, porque não teriam potencial suficiente para calar a voz do conhecimento se caso essa existisse, ou viesse à tona. Mas por ora continuarão aclamando o Mestre dos Magos e venerando a dona, digo, escritora do Desabrochar do desabrochar da Tarântula, pois são os livros mais vendidos, são as histórias que o povo gosta, ou é obrigado a mastigar, afinal somos Gado, como disse em melodia Zé ramalho.
Emanuelle Kaliny Rodrigues. Jornalismo
Postado por Emanuelle Rodrigues às 09:39 0 comentários
Alguns esclarecimentos, teorias, e infâmias sobre o amor
Alguns esclarecimentos, teorias, e infâmias sobre o amor
Esclareço meus conceitos de tristeza quando observo a tristeza de outro e vejo nele algo engraçado, esquisito, suspeito, ou inanimado, que gere em um poeta maluco e endoidecido pelo tempo vago na agenda alguma inspiração. Já avistei em alguma janela da vizinhança o meu ponto de reflexão, lá vai ele debruçar-se no parapeito da sacada, observando Martin identifiquei que não há uma clausura menos triste, do que aquela que é por vontade própria, desvendei um medo que não é tão feio, chega a ser um bom companheiro nos dias de indecisão, este acompanha o jovem solitário parece ser seu melhor amigo.
O rosto de Martin é surrealista, não teria tanto esplendor se não fossem as lágrimas que sempre estão regando sua face, bela face seria menos triste se ele tivesse encontrado o caminho das flores, mas aquele jovem já perdeu as esperanças, e fugiu um pouco da utopia absoluta que vivia. loucura? Menos que a própria realidade, solidão? Mais ausente do que quando estava entre “amigos vendeiros”, os únicos amores o qual Martin entregou o seu coração, são os que lhe decepcionaram profundamente, foram aqueles que não mereceram suas noites mal dormidas.
De fato é natural as pessoas quererem sempre ser amadas na medida certa, sem exageros a tal da falsidade, sem restrições vulgo indiferença, porém tentava eu observar o caso da tal “medida de amar”, sem pré- diagnósticos, de alguém bem já desacreditada com os sentimentos de amor e caridade fraternais, que descobriu nas letras um fascínio que não me trouxe o meu primeiro namoro, digo agora sem surpresas ou de repentes, entendi que a medida a qual atormenta os juízos de alguns atordoados e seus psicanalistas, não existe? Simplesmente não existe medida certa, nem medida errada, amor não se mede tampouco se recebe.
Alguma grande parcela da raça dos ex - apaixonados fogem como Martin de qualquer simpatia, revista, previsão astral, galanteio, site de relacionamento, e qualquer tipo de investida alheia ou discurso que os faça voltar ao velho depender do: “Será que você gosta mais de mim? Ou eu que gosto mais de você”. O Mal tão necessário, da maioria dos humanos que estão entre 14 e 80 anos, o tal do amor.
Voltar o pensamento para a utopia absoluta e dedicar-se somente a razão, é um bom caminho para quem foge de algum sofrimento futuro, porém gostaria claramente que as pessoas, principalmente os amigos e amigas próximos a alguma pobre vítima desiludida, entendessem que um jovem inteligente precisa de atenção, e que nem sempre isso é sinônimo que o grau de amizade vai pular um pouquinho e ganhar uma certa “ corzinha”, se é que vocês me entendem?
Porém quanto a você meu caro amigo Martin que soluça ao horizonte, e que perde água através das lágrimas, que já daria para matar a sede de dois nordestinos,
aconselho que seja criativo o suficiente para criar um amigo imaginário, sem qualidades para surpreendê-lo, e sem defeitos tão grandes para aterrorizá-lo, e que por um breve momento, muito breve, sei que você viverá bem se não confiar nessa utopia , porém maior visionária seria eu se acreditasse que você viverá eternamente assim, nem eu quero, Martin é um bom garoto;Martin é uma boa inspiração; Martin é a minha nova paixão, e agora?
Emanuelle Kaliny Rodrigues
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O Paulo que HÁ dentro de NÓS
O Paulo que HÁ dentro de nós
Em sua clausura voluntária, Paulo passa horas a olhar para seu relógio de pulso, procurando um passatempo em seu quarto escuro, um pouco ansioso, talvez até irritado com sua falta de entretenimento em um final de tarde de sábado, sobre uma mesinha judiada ao lado de sua cama estão alguns livros comuns de heróis e mitos típicos de garotos de sua idade, fábulas, contos épicos, inclusive alguns do gênero literário, de fato não descrevo sobre um simples garoto, não me daria ao trabalho de descrever sobre o normal, apenas de contestá-lo sendo eu mais uma apaixonada pelo inusitado.
Na verdade quem é Paulo? Paulo, não enxerga além do horizonte, Paulo não gosta de política, não vai bem em matemática, não vai ser advogado, não pretende seguir carreira militar, não é tímido, mas não chega a ser palhaço, não é um bom jogador de futebol, não se anime amigo leitor ele não tem Super poderes, não é procurado pela justiça, não, não e não, na verdade Paulo é o sinônimo do Não absoluto, vazio, vago, onisciente, um perfeito imperfeito, o “comum de carterinha” se me cabe aqui tamanha liberdade, não usa drogas, nem chega a ser contra o uso delas, tem televisão onde perde não mais que 30 minutos diários vendo alguma atração que lhe chamou atenção, mas nada tão bom assim ao ponto deste apegar-se a ela.
Ele não está apaixonado, mas tem namorada; Paulo não é religioso, porém tem certa fé no coração, não chega ter uma agenda cheia de grandes contatos, nem tão ilustre, nem tão desconhecido, amigos, até que confiáveis, porém nenhum mártir em nome de uma grande amizade, inimigos fidelíssimos, porém não tão indignados ao ponto de envenená-lo, esse menino vai à praia, mas não a praia que eu vou, sendo o contexto dela, areia, água, castelinhos, protetor solar, meninos como Paulo não vão à praia, meninos como Paulo descem até o litoral fugir do cotidiano conturbado, mas nem cotidiano conturbado esse pobre diabo desse Paulo tem, vive o dia inteiro no seu quarto olhando para um relógio, que deve ser alguma espécie de refúgio, ou talvez contando as horas para a morte, pois Paulo não vive, esse menino vegeta, talvez seja adepto a alguma ideologia comunista? Será? Não, não Paulo é muito... Parado, não chega a ser morto, parado mesmo, não como a placa de “Pare!”, pois ela é vermelha autoritária, sua forma é gritante; este lembra mais uma reles placa de preferencial: aquele “ pare...”continue, faça o que quiser, mas não me pergunte nada, não me incomode, me deixe aqui, raios suma então, criatura!
Não consigo olhá-lo como Paulinho, nem como Paulão, nem apelido o sujeito ganhou ao longo da sua vida em todos esses anos de escola, e se ganhou não animou o suficiente o inventor do apelido, tanto que o coitado nem ousou recitá-lo em alto e bom tom para os demais colegas, o inusitado deste texto é o descrever do indescritível, sem qualidades o suficientes para ser belo, sem defeitos o suficiente para aterrorizar, Paulo você é uma arma branca mortífera, que não está longe do esperado de um brasileiro, mas não temo por ti, pois sei que apesar das críticas ele não pensa em desistir, não vai desistir, ele é o menino do presente no País do Futuro, uma boa combinação, “ a fome com a preguiça de trabalhar...”entretanto, não derramo lagrimas de desespero, afinal o penúltimo não é o pior.
Emanuelle Kaliny Rodrigues Jornalismo
Postado por Emanuelle Rodrigues às 09:37 0 comentários


