Parábolas do Cotidiano
Franzindo as sobrancelhas e de cara enfezada, o garoto não aceitou a amigável crítica. Frederico abaixou a cabeça, mordeu a língua, e não deixou sua voz aveludada a serviço de parábolas do cotidiano.
Ressentido pelo desabafo alheio, e deslumbrado pelos holofotes iluminando as maçãs da face, cortou relações com a família, mudou a maneira de ser, agora é estigmatizado pela falta de caráter.
O Brasil relaxa a sombra do comodismo, e goza o prazer de descansar em paz ao som das balas perdidas. Os idealistas e porta-vozes das massas são como Frederico, que descansa ansiando a chegada da aposentadoria.
Sentindo os arrepios das turbulências aéreas e econômicas, e temendo o deslanchar da carruagem chamada Senado, o brasileiro vive a sambar as marchinhas de gado, as marchinhas musicais populares.
O rádio toca esses louvores para prestigiar as gravadoras, e escutando vozes terceirizadas e conhecidas, Frederico deixa de ser da Silva, agora é Fred da Mídia.
Emergindo no sonho neoliberal, Implantou-se a vassalagem, vendeu-se oratória em troca de fama, contudo a preço de banana emprestou-se a boa retórica as agências de publicidade.
As galinhas filósofas não botam ovo de ouro, entretanto ensinam o minerador a pintar as bijuterias de tinta dourada. Na era dos meninos cara - de –bolachas, as charges deixam de serem manifestações opinativas, e rendem horas e horas de entretenimento e piadas.
Tolerância, consciência, e rapidez enaltecem os diários pagos e escondem atrás do português formal, o escracho da comunicação instantânea fundamentada em releases.
Frederico não compreende certas coisas, apesar de experiente, fora criado no submundo que a Wide Word Web, é simplesmente WWW. e ponto final, sem acréscimo, tampouco contestações.
Emanuelle Kaliny Rodrigues


1 comentários:
EXCELENTE TEXTO
NOSSO DIA-A-DIA TEM SE TORNADO UMA EXTENSA CHARGE ONDE NÓS MESMOS NOS DESENHAMOS...QUANDO DEIXARMOS O LAPIS DE LADO E FAZER VALER O UNICO PODER VÁLIDO EM NÓS : O VOTO ... OU SENÃO VIRARMOS @GOV.BR
BLOGDOKITO
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